Cascais estreia "Guernica", um manifesto anti-guerra de Arrabal

A peça escrita pelo espanhol Fernando Arrabal é a primeira estreia do TEC este ano.

O Teatro Experimental de Cascais (TEC) vai estrear, na quarta-feira, dia 20 de abril, no Teatro Municipal Mirita Casimiro, a peça Guernica, escrita pelo autor espanhol Fernando Arrabal e que será encenada por Carlos Avilez.

Ainda nas comemorações dos 50 anos do TEC, a peça Guernica é a primeira a estar em cena em 2016 e, segundo a companhia, trata-se de uma obra com duas relações diretas evidentes: primeiro, com o célebre quadro de Pablo Picasso e, segundo, com os bombardeamentos de 1937 de que o município basco foi alvo.

Escrita em 1961, Guernica é "mais um manifesto universal anti-guerra do que uma análise de um determinado acontecimento da Guerra Civil Espanhola", lê-se. O TEC explica ainda que o autor espanhol tem uma "lógica pelo absurdo, pela desconstrução, pelo absurdo filosófico da existência, próximo de Beckett".

Nesse sentido, acrescenta, "o dispositivo base de Arrabal é o de colocar as suas personagens com mentalidade e discurso de criança". Aliás, elas não compreendem o mundo porque o vêem através desse olhar monocromático e infantil, o que faz com que muitas vezes tenham atitudes cruéis para com o outro, não obrigatoriamente por maldade, mas apenas porque, tal como as crianças, não têm a compreensão suficiente para distinguir o bem do mal".

A companhia de Cascais considera que, numa altura em que se assiste à crise dos refugiados na Europa, é "urgente revisitar textos como Guernica" para recordar que "a dimensão do mal não é algo que faz parte do passado da humanidade, mas que se mantém tão presente agora como antes".

Com interpretação de António Marques, Luiz Rizo, Madalena Almeida, Renato Pino, Rita Calçada Bastos, Sérgio Silva e Teresa Côrte-Real, a peça está em cena até 22 de maio e decorre de quarta-feira a sábado, às 21:30, e domingo, às 16:00.

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