Carreira em alta e dois projetos pedagógicos e sociais

Maria João Pires toca um pouco por toda a Europa nos próximos meses e tem atualmente por base a cidade de Bruxelas.

Depois de ter deixado Portugal, no verão de 2006 (quando se tornou evidente que o governo de então não manteria os compromissos assumidos para com o Centro de Artes de Belgais, perto de Castelo Branco, que criara em 1999), Maria João Pires fixou-se no Brasil (desde 2008, em Salvador), desenvolvendo ali e em Salamanca projetos semelhantes ao de Belgais. Em 2010, tomou também a nacionalidade brasileira.

É desde 2012 mestre-residente na Chapelle Musicale Reine Elisabeth, em Waterloo (perto de Bruxelas), e conta este ano letivo com 12 alunos efetivos e 3 young artists. Ali desenvolveu entretanto dois projetos de especial interesse e que refletem as suas preocupações artísticas e sociais: o Partitura e o Equinox. Aquele (criado em 2014) dirigido a jovens e dotados pianistas selecionados, oferecendo um modelo alternativo da arte e da profissão; o segundo, dirigido à criação de coros infantis com crianças (6-14) de meios desfavorecidos/problemáticos.

De resto, e ao contrário do que chegou a anunciar - de que abandonaria a atividade concertística aos 70 anos -, e para felicidade da humanidade, Maria João continua a tocar em público. Recentemente, em Boston, tocou o Concerto n.º 23 de Mozart, sob a direção de Bernard Haitink. Dentro de dois dias, toca o Concerto n.º 4, de Beethoven no Scala, com a Filarmónica do Teatro e Riccardo Chailly. Logo depois, inicia uma pequena digressão com a Budapest Festival Orchestra e maestro Iván Fischer, tocando o Concerto n.º 9 de Mozart em Londres, Bruges e Praga. Em junho, fará oito recitais repartidos com alunos do Projeto Partitura, passando por Bélgica, Holanda, França e Istambul. No verão, entre outras paragens, irá ao Festival de Lucerna e aos Proms de Londres (aqui, a 28 de agosto), tocando o "Mozart 23".

No final de 2013, a pianista assinou pela editora Onyx, na qual já saiu a gravação dos Concertos 3 e 4 de Beethoven (que nunca gravara) com Daniel Harding e a Sinfónica da Rádio Sueca. Com este maestro, mas com a Sinfónica de Londres (LSO), gravou recentemente o Concerto de Schumann - sairá no selo LSO Live.

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