Carlos Reis: Estado deve cumprir aquilo a que se comprometeu

O professor catedrático Carlos Reis, apoiante do Acordo Ortográfico (AO), afirmou hoje à Lusa que não se opõe a "ajustamentos pontuais" no documento, mas sublinhou que "um Estado sério e responsável deve cumprir aquilo a que se comprometeu".

Comentando a hipótese avançada pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, de se fazerem "ajustamentos" em alguns aspetos do AO até 2015, Carlos Reis disse que esses ajustamentos "não podem ser feitos de forma unilateral e casuística".

"Infelizmente, em matéria de política de língua, o atual Governo parece ir pelo mesmo caminho do anterior, ou seja, vacilação e ambiguidade, pequenos avanços e grandes recuos", lamentou o estudioso.

Na terça-feira, numa entrevista à TVI24, Francisco José Viegas admitiu a "possibilidade" de se mudarem algumas normas inscritas no novo Acordo Ortográfico (AO).

Fonte oficial do gabinete do SEC afirmou hoje à Lusa que, até 2015, quando termina o período de transição do AO, "é possível efetuar ajustamentos em alguns casos, relacionados com as palavras de dupla grafia e as sequências consonânticas".

"Trata-se de unilateralmente introduzir alterações naquilo que foi acordado entre vários países e ratificado em diversas instâncias?", questionou Carlos Reis, sublinhando que o que está em causa é "uma política de língua, matéria que não é do interesse exclusivo de Portugal".

"Portugal não só não é o proprietário da língua portuguesa, como é (ou deveria ser) parte interessada numa política articulada com outros Estados para a valorização internacional do nosso idioma", recordou o professor catedrático da Universidade de Coimbra.

O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa começou a ser aplicado a 01 de janeiro deste ano nos documentos do Estado, vigorando em todos os serviços, organismos e entidades na tutela do Governo, assim como no Diário da República, que também o aplica.

A decisão de adoção do Acordo Ortográfico (AO) foi tomada em Conselho de Ministros a 25 de janeiro de 2011.

O acordo foi assinado em Lisboa, em 1990, começou a ser aplicado em 2009 e tem um período de adaptação até 2015, durante o qual são aceites as duas grafias.

Os objetivos deste acordo são reforçar o papel da língua portuguesa como idioma de comunicação internacional e garantir uma maior uniformização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP).

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