Banksy cria paródia aos parques temáticos

O artista britânico volta a casa, Bristol, e transforma um antigo parque aquático num festival alternativo ao ar livre a partir de hoje. Há uma portuguesa entre os 58 artistas convidados.

Banksy está de volta. E desta vez ocupa um parque aquático desativado na vila balnear de Weston-Super-Mare, perto de Bristol, a sua cidade. O Tropicana, que o artista frequentou na infância, está fechado há 15 anos, e reabre hoje para os habitantes locais e amanhã ao público como Dismaland, uma paródia aos parques de diversões. Há trabalhos de 58 artistas, entre eles a portuguesa, Wasted Rita.

Veja aqui e aqui as duas fotogalerias.

"Foi quase tudo confidencial", conta Wasted Rita, aliás, Rita Gomes, 27 anos, ao DN, sobre a entrada neste "festival alternativo ao ar livre". Foi assim - alternative outdoor festival - que lhe descreveram o evento, por mail, em junho.

Terá quatro posters e a instalação Love Letters que apresentou no Super Bock Super Rock no evento criado por Banksy. "Demorei algum tempo a responder", conta. Só o fez depois do festival português e foi a própria que propôs mostrar em Weston-Super-Mare a mesma instalação que mostrou no festival em Lisboa. A resposta foi sim, mas poucos mais detalhes sabe. "Nem tinha noção que era uma coisa tão grande", diz ao DN. "Só me disseram que era uma exposição em que o Banksy estava a fazer a curadoria".

Os outros surpreendidos for am os fãs de do artista de Bristol. A última exposição de Banksy em casa foi há seis anos. Houve filas de horas para ver Banksy vs Bristol Art Museum, em 2009. Antecipando o interesse, a entrada em Dismaland custa 5 libras (7 euros), que podem ser comprados no local ou online. As precauções, pode dizer-se, eram justificadas. Uma hora depois do evento ter sido confirmado pela imprensa local, o a página criada para o efeito - www. dismaland.co.uk - colapsava. Ao mesmo tempo nasciam, no Instagram e no Twitter, as hashtags #dismaland e #dismalandpark.

Construído em 1937 para ser uma piscina de grandes dimensões, a maior da Europa segundo rezam os planos de reabilitação, o complexo foi convertido em parque aquático e rebatizado como Tropicana em 1983, um ano após a demolição de uma (ainda lembrada) prancha art déco. "Adorava o Tropicana, por isso, entrar por aquelas portas abertas de novo é uma verdadeira honra", disse à imprensa.

O local fechou em 2000 e desde então tem sido alvo de vários projetos. Abandonado e degradado, é a autêntica definição de dismal - desastroso, triste, muito mau, sombrio - uma ideia que o artista já tinha usado em 2012 no graffiti "Life isn"t a Fairy Tale" (A vida não é um conto de fadas).

Banksy retornou ao local em janeiro através de uma abertura na cerca e até 27 de setembro este será um parque de confusões e não um parque de diversões (bemusement park em vez de amusement park), com uma versão singular do castelo das princesas, ainda que lembre outro, muito conhecido. "A Disney já viu isto?", lia-se no Twitter ontem de manhã. A resposta é dada pelo próprio Banksy no site. É proibida a entrada de "spray, marcadores, facas e representantes legais da Walt Disney".

Há uma roda gigante, um cavalo feito de andaimes, caricaturas, uma viagem de barco a lembrar as travessias no Mediterrâneo, e, entre outras, a recriação de uma atração de feira em que o objetivo é bater numa imitação de Jimmy Saville, o apresentador de TV sobre quem recaíram centenas de acusaões de abusos sexuais após a sua morte em 2011.

Há dez peças novas de Banksy, ao lado de obras de outros 57 artistase. "É uma mostra dos melhores artistas que pude encontrar, exceto dois que me recusaram", disse, citado pelo Guardian. Entre eles Damien Hirst, Jenny Holzer, Jimmy Cauty ou Julie Burchill e, claro, Wasted Rita. "É, de certeza, uma das melhores coisas que me aconteceu este ano profissionalmente".

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