B Fachada brinca com o Rock in Rio

Concerto humorado e inspirado do músico nacional. Charlie Puth deslumbrado com o cenário que teve diante de si no Palco Mundo.

Em dia esvaziado pela baixa de Ariana Grande, substituída por Ivete Sangalo que repete quase integralmente a actuação de sábado, as atenções focaram-se no jovem fenómeno da pop Charlie Puth, que se encantou com a panorâmica que tinha do Palco Mundo, mesmo que o público fosse claramente menor que o dia anterior.

A prestação ao vivo de uma hora do pianista correu a pente fino o seu único álbum Nine Track Mind, tendo tocado, para gáudio das fãs, o r&b de We Don't Talk Anymore (sem Selena Gomez) e, ponto máximo da comoção geral, One Call Away, com que fechou o concerto.

No autêntico microfestival que tem sido o Palco Vodafone, B Fachada esteve em grande, mesmo que na solidão, sem músicos adicionais. O apoio instrumental era rudimentar (uns modestos teclados, reforçados por uma base de programações e uma caixa de ritmos), mas não a personalidade de Fachada, que enche com humor e ironia fina tudo o que canta e diz. No falatório, brincou com o Rock in Rio. Avisou os desprevenidos no recinto do cancelamento de Ariana Grande, disse que "é com a malta do Rock in Rio que eu curto fumar" antes de cantar a ode à ganza Quem Quer Fumar com o B Fachada, e perguntou se aquela enorme fila para a roda gigante era para ver nos camarins as bonitas Hinds, que tocavam a seguir.

Na música, o humor também irradia. Esta espécie de pimba invertido, com a mesma fusão de folclore com electrónica obsoleta mas nos antípodas da boçalidade, teve à mão de semear algumas das músicas do álbum de 2012 Criôlo (que ajusta-se a este híbrido), como Afro-Xula e É Normal, além do já mencionado Quem Quer Fumar com o B Fachada. Mas o alinhamento deste espetáculo de synth-up comedy foi uma espécie de best of histórico, concluído em encore pelo conformismo heterossexual de Só Te Falta Seres Mulher. B Fachada troça como quem respira e ninguém lhe pode levar a mal. Mais que de fado, este é um país de humoristas.

Também a brilhar no Palco Vodafone, as madrilenas Hinds - que parecem saídas de uma agência de modelos - foram uma espécie Bangles sem golpes orelhudos pop, impondo jogos de guitarras que lembram muito os Throwing Muses.

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