As tardes Afro do Super Rock

Enquanto se esperava por Iggy Pop e Massive Attack, houve muito por descobrir nos outros palcos do Super Bock Super Rock, no segundo dia do festival. O denominador comum da tarde de ontem foram as muitas faces desse conceito tão abrangente conhecido como africanidade.

O calor, o sol e o adiantado da hora não são os melhores amigos para uma banda a quem cabe abrir um festival, mas a falta de público não retraiu os portugueses Pás de Problème de fazerem a festa no palco EDP com a sua fanfarra ao melhor estilo klezmer, que misturam com standards de jazz e toda uma panóplia de sonoridades que vão do Leste da Europa ao Norte de África num espaço de uma música.

Foi já com o público bem mais composto e com a temperatura mais amena, só a atmosférica, que este mesmo palco recebeu, logo em seguida, os Petit Noir, uma das bandas que melhor simboliza a multiculturalidade destes novos tempos - mas no bom sentido. Nascidos em Bruxelas, este projeto liderado por Yannick Ilunga, um africano de origens congolesas e angolanas, foi o protagonista de um dos melhores momentos do final de tarde de ontem à beira-Tejo, a exemplo do que já tinha acontecido no final do ano passado, aquando da sua passagem pelo Mexefest, para mostrar o álbum de estreia Life Is Beautiful, no qual as sonoridades de África se misturam com a atualidade do mundo ocidental da pop e da eletrónica.

Mas ao contrário do que então aconteceu, em que a sua herança africana veio mais ao de cima, desta vez foi ao baú das memórias do pós-punk que Yannick recorreu para embalar o público, que se ia acumulando cada vez em maior número em frente do palco, para ver esta espécie de encarnação negra de Ian Curtis - pelo menos hoje assim o pareceu, porque noutro dia qualquer pode ser o espírito de Fela Kuti a tomar conta dele.

Tempo agora de rumar para o Palco Antena 3, onde os Pista estavam quase a começar. Mais uma vez há uma certa africanidade no ar, embalada pelos sons bamboleantes das guitarras desta banda barreirense - por alguma razão o álbum de estreia se chama precisamente de Bamboleio -, que nas primeiras músicas contaram com a preciosa ajuda de Alex d"Alva Teixeira, o vocalista dos D"Alva como mestre de cerimónias. E mais uma vez cantou-se e dançou-se como se se estivesse no Campo e Praia (nome de uma das novas canções) e não num festival urbano, no meio da capital.

Aproxima-se cada vez mais a hora de Iggy Pop, mas no Palco EDP, ainda há tempo de espreitar o concerto de Kwabs, o jovem britânico de origem ganesa que na noite anterior protagonizou um dos momentos do espetáculo dos Disclosure. R&B, soul e gospel, embrulhados pela dose certa de eletrónica, este descendente direto dos Massive Attack (que também passariam ontem pelo festival) foi outra das boas surpresas da tarde, a avaliar, mais uma vez, por esse barómetro infalível que é o público, agora sim em muito maior número.

Entretanto, o Meo Arena começa a encher, mas antes de Iggy Pop ainda há Bloc Party. Com o mais recente Hymns como cartão de visita, a banda britânica foi conquistando a audiência numa hora em que o estômago e o lusco fusco ainda apelavam ao passeio pelo magnífico cenário urbano que é o Parque das Nações. E enquanto muitos se preparavam para garantir o melhor poiso para ver Iggy Pop, o rock que se esgalha nas guitarras com apetites de eletrónica conquistou os mais desconhecedores.

Exclusivos

Premium

Espanha

Bolas de aço, berlindes, fisgas e ácido. Jovens lançaram o caos na Catalunha

Eram jovens, alguns quase adultos, outros mais adolescentes, deixaram a Catalunha em estado de sítio. Segundo a polícia, atuaram organizadamente e estavam bem treinados. José Manuel Anes, especialista português em segurança e criminalidade, acredita que pertenciam aos grupos anarquistas que têm como causa "a destruição e o caos" e não a luta independentista.