As eleições americanas nos bastidores da Orquestra Gulbenkian

O músico André Cameron é da Carolina do Norte. Lawrence Foster é de Los Angeles e votou no Colorado. Ambos seguiram os resultados das eleições americanas nos bastidores da Sala São Paulo, onde atuaram com a Orquestra Gulbenkian.

O segundo concerto da Orquestra Gulbenkian na Sala São Paulo, na terça-feira à noite, começou no momento em que se começavam a conhecer os resultados das eleições americanas.

André Cameron, violetista, aproveitou o intervalo entre o ensaio e o espetáculo para se atualizar, através do telemóvel. E dizia: "Não confio nas sondagens". Por essa altura, ainda nada fazia prever que Hillary Clinton fosse perder para Donald Trump. "Quero ver com os meus olhos".

O músico, que vive em Portugal, votou há um mês no estado da Carolina do Norte, onde cresceu e onde viu membros do Ku Klux Klan. Tinha 14 anos quando teve colegas brancos na escola, o que só aconteceu seis anos depois de uma ordem do Tribunal Federal. "É como voltar 60 anos atrás", considerava.

Minutos depois, aproximava-se outro norte-americano, Lawrence Foster, judeu, nascido em Los Angeles. Vive na Europa, mas vota no Colorado, o último estado em que viveu (como dita a lei). "Tem resultados das eleições?", perguntou ao compatriota, aproximando-se do ecrã do telefone para ver os resultados das sondagens. André repetia: "Não confio nas sondagens".

Cameron e Foster trocam impressões. O músico, de 59 anos, diz que membros do grupo Ku Klux Klan assistiram a comícios de Donald Trump e, através do seu jornal, entregaram o seu apoio a Trump.

A Orquestra Gulbenkian encontra-se no Brasil para uma digressão de quatro datas. Passou pelo Auditório do Ibirapuera, pela Sala São Paulo e na quarta-feira apresenta-se no Theatro Muncipal do Rio de Janeiro, sob direção de Lawrence Foster, antigo maestro titular, e com o violinista brasileiro António Meneses como solista.

Na noite de terça-feira, de novo cheia, ouviu-se a sinfonia inacabada de Franz Schubert, o concerto para violoncelo de Dmitri Chostakovich, com a interpretação de António Meneses, e Felix Mendelssohn-Bartholdy. No Rio de Janeiro, Schubert, Édouard Lalo e Dovrak.

A jornalista viajou a convite da Fundação Calouste Gulbenkian.

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