As aguarelas de André Carrilho, longe do digital

O ilustrador mostra paisagens urbanas e rurais, de regresso ao básico

Atrito é o nome da exposição de desenhos de André Carrilho na galeria Abysmo, em Lisboa, onde fica até 21 de outubro. O ilustrador diz-se "farto de computadores e a querer voltar ao básico" e mostra paisagens e situações íntimas relacionadas com os dois filhos - gravidez, nascimento e o dia-a-dia.

São papeis com desenhos simplesmente presos por uma mola e pendurados nas paredes da galeria da editora de João Paulo Cotrim, no Chiado, e fazem lembrar a exposição feita em 2013 com o título Inércia no mesmo espaço - o respetivo livro. André Carrilho explica: "A inércia é a tendência dos corpos para se manterem como estão, o atrito faz-te mudar de estado".

Entre um e o outro momento, André mudou realmente - "agora sou casado, tenho filhos, e daí que tenha parado as viagens que antes fazia. É outra realidade."

Ainda assim, aqui estão paisagens, quase sempre despovoadas, de Londres, Paris, Nova Iorque, Macau, Hong-Kong, tal como de Viseu, do Douro, de Óbidos, de Ciudad Rodrigo. O autor chega a cada lugar, senta-se numa cadeira de pescador, abre a caixa de aguarelas (incluindo uma aguarela de grafite da Viarco) e passa pelo menos uma hora a desenhar.

André Carrilho mostra também desenhos de situações da intimidade familiar que já tinha antes revelado aos amigos mais próximos no facebook . São imagens da gravidez, dos partos e também do quotidiano dos dois filhos - uma com 20 meses, o mais novo com apenas sete semanas.

Os desenhos serão reunidos num livro a publicar pela Abysmo, com textos do próprio ilustrador.

A exposição Atrito foi inaugurada no passado dia 21, no âmbito da 8.ª edição do Bairro das Artes 2017 que este ano envolve 39 galerias de arte contemporânea na Sétima Colina de Lisboa, promovida pela Isto não é um cachimbo. Ana Matos, desta organização, sublinha que esta edição tem não apenas mais cinco espaços envolvidos do que nos anos anteriores, mas sobretudo mais impacto.

Nascido em Lisboa em 1974, Carrilho começou aos 18 anos a afirmar-se como um dos maiores nomes da ilustração em Portugal, com uma atividade diversificada na caricatura, no cartoon, na animação. Colaborador do DN, trabalha para publicações internacionais como The New York Times, New York Magazine, The New Yorker, Harper"s Magazine, Vanity Fair, Independent on Sunday.

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