Artista português Vhils não tem a certeza se já conheceu Banksy

O artista português Vhils já participou em vários eventos organizados por Banksy, o mais famoso criador de arte de rua, mas continua sem ter a certeza se o conheceu ou não.

"Conheci uma pessoa que supostamente é ele, mas nunca se sabe se é ele ou se é outra pessoa que está a trabalhar com ele", admitiu Vhils, pseudónimo artístico de Alexandre Farto, à agência Lusa.

Banksy é um artista britânico, alegadamente natural de Bristol, que ganhou fama internacional pelo trabalho nas paredes de prédios em várias cidades, mas cuja verdadeira identidade não é conhecida.

Mesmo sem dar a cara, o nome do misterioso britânico é o mais reputado da arte de rua [street art], ou graffiti, na qual Vhils começa também a ser reconhecido.

Na quinta-feira, o português inaugura a primeira exposição induvidual em Londres, na galeria Lazarides, que representa Banksy, Invader e David Choe.

"A arte de rua está a ser levada mais sério. Antes era admirada, mas agora tornou-se mais sofisticada porque passou a transmitir uma mensagem", disse Ralph Taylor, um dos responsáveis do espaço, à Lusa.

O movimento, disse, evoluiu e deixou de ser reduzido a vandalismo para ser olhado como uma "certa atitude, que se expressa sem jogar pelas regras".

Em Londres e também em Lisboa, o mercado da "street art" está a atrair a atenção de mais coleccionadores, agora que também passou a apresentar-se em "espaços expositivos".

"Está na moda", simplificou Matilde Meireles, da galeria Vera Cortês, que representa Alexandre Farto em Portugal.

Para Vhils, a valorização da arte de rua ainda está para vir, quando a geração que mais se identifica com a estética, que está agora entre os 15 e 25 anos, ganhar poder de compra.

"Acredito que, num futuro próximo, quando essa geração for a que tomar a situação, as coisas vão ser mais sérias", prognosticou.

O artista, que começou a fazer grafitti em muros e comboios aos 13 anos em Lisboa, nunca pensou que o interesse pela pintura e desenho tivesse futuro.

A perspectiva mudou quando conheceu o trabalho de outros artistas internacionais e percebeu que "conseguia transmitir alguma coisa com isto e ter uma ideia por trás" das pinturas que fazia pela cidade.

A certa altura, recordou Matilde Meireles, Alexandre, então com 18 anos, começou a questionar-se se devia fazer um trabalho mais convencional, como pintar telas, para poder afirmar-se.

Mas foi incentivado a continuar na arte de rua, mesmo que isso implique intervenções ilegais - quer as que continua a fazer sozinho, quer as que desenvolve com o colectivo VSP, embora em menor número do que no passado.

"Ser ilegal dá a liberdade de conseguir entrar num contexto que as pessoas não estão à espera e isso, na minha opinião, é o que diferencia a street art - graffiti de tudo o resto", justifica Vhils.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG