Tate Modern adquiriu quatro obras de Pedro Cabrita Reis

A Tate Modern, em Londres, adquiriu quatro obras do artista português Pedro Cabrita Reis e três delas ficam em exposição permanente durante este ano naquele museu de arte moderna e contemporânea, um dos mais importantes do mundo.

"É muito gratificante que a Tate Modern tenha tido o interesse em adquirir estas obras", que cobrem temporalmente o trabalho do artista desde os anos 1990 até à atualidade, disse Pedro Cabrita Reis à agência Lusa.

De acordo o artista plástico é a primeira vez que a Tate Modern adquiriu obras da sua autoria.

"Foram compradas em dezembro de 2011 e três delas colocadas de imediato em exposição no quinto piso do museu, onde vão ficar durante um ano", precisou o artista que, apesar de ter contactos regulares com o museu, nunca tinha tido obras ali patentes.

As obras são "Limbo" (1990), "The Unnamed Word #1" (2005), "The Moscow Piece" (2006) e "Unframed #3" (2008).

O artista não revelou o preço dos trabalhos, mas indicou que, no quadro da filosofia de mecenato da Tate Modern, duas das obras foram patrocinadas pela Fundação EDP.

Pedro Cabrita Reis mostrou, entre julho e outubro de 2011, no Museu Berardo, em Lisboa, a maior retrospetiva de sempre do seu trabalho, com cerca de 300 obras, desde os anos 1980 até à atualidade.

"One after another, a few silent steps" foi o título desta retrospetiva que, desde 2009, esteve em itinerância pela Europa, passando pela Kunsthalle de Hamburgo, na Alemanha, pelo museu Carré d'Art de N"mes, em França, e pelo museu M de Lovaina, na Bélgica.

A mostra encerrou a itinerância em Lisboa, onde Pedro Cabrita Reis nasceu, em 1956, e onde reside e trabalha.

Pedro Cabrita Reis estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e, desde os anos 1980, tem-se dedicado ao desenho e pintura, com trabalhos de cenografia para teatro e intervenções, como a decoração do bar lisboeta Frágil.

A obra pictórica caracteriza-se pela grande dimensão dos suportes, nos quais se representam objetos do quotidiano, reordenados em ambientes enigmáticos.

A partir da segunda metade dos anos 1980 começou a diversificar as modalidades de expressão, passando da pintura à escultura e à instalação, com materiais como chumbo, vidro, espelhos, objetos reutilizados, ferro e madeira.

Redes, espirais, labirintos e cruzes são alguns dos símbolos frequentes no seu trabalho, que remetem para universos temáticos e formais, enquanto também valoriza sinais de erosão e de degradação nos materiais provocados pelo desgaste do tempo, tornando-os quase ruínas.

Em 2000 foi distinguido com o prémio de artes plásticas atribuído pela Associação Internacional de Críticos de Arte.

Realizou uma primeira exposição antológica em 1994, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e posteriormente, em 1996, apresentou uma outra em várias cidades europeias, como Valência e Amesterdão.

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