Viajar pela história da arte em 600 cartazes

Uma exposição com 600 cartazes criados por artistas como Jean Dubuffet e Andy Warhol vai fazer uma primeira viagem pela História da Arte, a partir de sexta-feira, na Culturgest, em Lisboa, revelando aspetos documentais inéditos.

"Querido, reorganizei a coleção... por artista" é a primeira mostra de uma série de cinco exposições, que a Culturgest está a programar até 2018, tem por base a Coleção Lempert, com 15 mil cartazes, "um segredo muito bem guardado" com que o curador Miguel Wandschneider se deparou em 2008.

Numa visita guiada para jornalistas, o curador comentou hoje que, no primeiro contacto superficial com a coleção, percebeu de imediato "a extraordinária qualidade" dos cartazes de centenas de artistas representados, entre os quais se contam Claes Oldenburg, Robert Rauschenberg, Richard Hamilton, Dieter Roth, Oswald Oberhuber, Sol Lewitt, Marcel Broodthaers, Lawrence Weiner e Günter Brus.

Quatro anos mais tarde, depois de ter "mergulhado" no vasto acervo, Miguel Wandschneider considerou que seria "muito redutor" fazer uma única exposição e o projeto expositivo alargou-se para cinco exposições, em três capítulos temáticos, que serão apresentadas entre 2014 e o final de 2018.

"É uma coleção tão vasta e tão rica que achei que fazia sentido esta opção. É talvez a melhor coleção do mundo de cartazes feitos por artistas, certamente uma das melhores pela representatividade, elevada qualidade dos exemplares e a sua excelente preservação", sublinhou.

O curador sublinhou que a exposição levanta a questão de tantos artistas se terem empenhado em criar cartazes com as suas próprias mãos, em vez de deixarem esse trabalho para os designers ou gráficos.

"Significa que os artistas não quiseram deixar por mãos alheias a divulgação do seu trabalho. Estavam interessados em controlar essa comunicação e não seguiam as regras convencionais da publicidade", apontou.

Esta primeira exposição mostra seis centenas de cartazes que tinham como objetivo divulgar exposições ou eventos dos próprios artistas ou de outros, fazer publicidade a produtos, ou até de caráter político.

Foi o caso de um cartaz de autoria de Andy Warhol, descoberto na coleção, que faz publicidade ao partido alemão Os Verdes e que "nem foi assinado pelo artista por temer represálias nos Estados Unidos".

Wandschneider sublinhou ainda o caráter documental dos cartazes que, pelo seu número e qualidade, "revelam o percurso artístico de muitos criadores ao longo da vida". "Muitos deles vieram a tornar-se ilustres, contribuindo com o seu trabalho para décadas da História da Arte".

"Pela quantidade e cronologia dos cartazes, é possível ver a evolução do trabalho e encontrar aspetos mais pessoais, já que alguns se autorrepresentavam nestas obras", apontou.

Na Culturgest, o projeto, sublinhou o curador, tem um caráter único por sair um pouco da linha programática, mais virada para mostras individuais de artistas, e porque será realizada uma investigação a este manancial documental da Coleção Lampert.

A exposição intitula-se "Honey, I rearranged the collection... by artist: Cartazes da Coleção Lempert" ("Querido, reorganizei a coleção por artista...") - designação tomada de empréstimo ao artista norte-americano Allen Ruppersber - será inaugurada na sexta-feira, às 22:00, na Culturgest, e abre ao público no sábado.

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