"Trafaria Praia" regressa a Lisboa em dezembro

O cacilheiro "Trafaria Praia", criado pela artista Joana Vasconcelos para representar Portugal na Bienal de Arte de Veneza 2013, regressa a Lisboa em dezembro, com um programa de convites para ir à Colômbia, Monte Carlo, Macau e Estados Unidos.

Contactada pela agência Lusa, a artista disse estar "muito contente" com a afluência de 100 mil visitantes do cacilheiro, transformado em Pavilhão de Portugal ao longo dos seis meses da bienal, com encerramento marcado para domingo.

"Além da conquista dos 100 mil visitantes, é também o facto de termos conseguido fazer um projeto tão complexo e tão difícil, e concretizá-lo. É uma felicidade que as pessoas tenham aderido imenso", disse Joana Vasconcelos à agência Lusa.

O "Trafaria Praia" chegou a Veneza no final de maio, depois de cerca de duas semanas de viagem desde Lisboa, e foi oficialmente inaugurado ao público no dia 31 desse mês, atracado junto aos Giardini.

Antes da partida, ainda em Lisboa, o "Trafaria Praia" foi alvo de um restauro no estaleiro da Navaltagus, no Seixal, e de uma transformação no interior e no exterior, concebida pela artista para esta 55.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza.

O barco foi coberto no exterior com uma faixa de azulejos que mostram uma vista panorâmica de Lisboa, e o interior foi revestido a cortiça, material também usado para mobiliário do barco.

Também no interior, a artista criou uma intervenção em têxteis em tons de azul e branco, semeados com pontos de luz.

"Em Portugal, as pessoas que não foram [a Veneza] têm perguntado quando regressa o cacilheiro. Há um grande interesse do público. Mas, para mim, o grande feito e orgulho foi a enorme recetividade do meio artístico", disse a artista, indicando que surgiram vários convites para o cacilheiro participar futuramente em bienais e exposições de arte.

Joana Vasconcelos revelou à Lusa que, depois de Lisboa, o "Trafaria Praia" irá viajar para a Bienal de Cartagena, na Colômbia, seguindo-se Monte Carlo e Macau, havendo ainda um pedido de Washington para receber o barco.

"Esta situação não é típica. Um projeto para a Bienal de Veneza normalmente depois desaparece, e este vai continuar a ser um projeto vivo, com imensas ações em Lisboa e noutros lugares do mundo", sublinhou a artista cuja obra tem vindo a ser cada vez mais conhecida internacionalmente.

Para Joana Vasconcelos, os convites internacionais mostram o resultado efetivo de um projeto desta dimensão: "O meio artístico validar, e querer aquele projeto é uma validação maior do que o número elevado de visitantes. Ainda vamos viver os efeitos do cacilheiro durante muito tempo".

Questionada sobre a atual propriedade do cacilheiro, Joana Vasconcelos explicou: "A obra é do Estado português até ao final da Bienal, portanto o cacilheiro pertence ao Estado, é uma obra que ainda representa o Estado".

"Quando a Bienal acabar há um potencial comprador", disse a artista, referindo-se à DouroAzul, empresa de cruzeiros fluviais no rio Douro, que apoiou o projeto e que cedeu uma tripulação para manobrar o cacilheiro na lagoa de Veneza.

"Até agora a DouroAzul tem sido um forte parceiro, e mostraram interesse em comprar a peça", indicou a artista, assinalando ser ainda prematuro falar sobre o assunto.

Sobre o regresso do "Trafaria Praia", não há datas concretas, porque a viagem depende das condições climatéricas: "Queremos que o cacilheiro esteja de regresso antes do natal deste ano, vamos ver como corre a viagem".

A viagem, segundo Joana Vasconcelos, pode demorar de 14 a 20 dias, e o regresso será feito nos mesmos moldes que a ida, rebocado por um navio.

Depois de ter transportado 11 milhões de pessoas durante 51 anos, no Tejo, o cacilheiro "Trafaria Praia" esteve durante seis meses a ser manobrado por tripulantes da Transtejo na lagoa de Veneza.

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