O dia em que Bill Murray recriou "Caça-Fantasmas"

Num festival dominado pelos feitos transformistas dos atores, Bill Murray é o primeiro destaque numa edição marcada pelas biografias

Depois do primeiro fim de semana, o Festival de Toronto começa a amealhar filmes com pretensões à temporada dos Óscares. Os estúdios de Hollywood e produtores independentes lançaram as suas cartadas com algum aparato. Pela reação da imprensa americana e canadiana e, também, pelos ecos do mercado (centenas de exibidores, distribuidores e vendedores) sabe-se já se este ou aquele título podem ter luz verde a nível de caça ao Óscar.

É aqui que tudo começa e a caminhada é longa, sobretudo a nível de marketing, mas talvez não seja precipitado concluir que um dos títulos que mais lucrou com as reações positivas foi St. Vincent, comédia da Weinstein Co. realizada pelo estreante Theodore Malfi, também conhecida como a comédia de Bill Murray. Uma espécie de cruzamento entre Rushmore - Gostam Todos da Mesma, de Wes Anderson, com Melhor é Impossível, de James L. Brooks, em que ficamos a conhecer a improvável relação entre uma criança de 12 anos e o seu vizinho sexagenário, um alcoólico viciado no jogo e numa prostituta russa. Murray é particularmente tocante numa personagem que ameaça ficar com estatuto de culto.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

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Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.