Douro Azul quer ficar com cacilheiro de Joana Vasconcelos

A empresa de cruzeiros fluviais está interessada no cacilheiro Trafaria Praia, criado por Joana Vasconcelos, para representar Portugal na Bienal de Arte de Vezena, em junho.

Ao Dinheiro Vivo, Mário Ferreira, fundador da Douro Azul apenas diz: "Enquanto o Trafaria Praia for o Pavilhão de Portugal em Veneza ou qualquer outro sítio, não vou falar sobre o assunto."

Mas confirma o interesse? "Não vou falar sobre isso, apenas lhe posso dizer que a Douro Azul teve um papel fundamental fazendo o Trafaria Praia mover-se na lagoa de Veneza. Foi a nossa primeira experiência de manobração do género, uma operação difícil mas interessante e conseguida com grande sucesso", responde Mário Ferreira.

Mais uma razão para a Douro Azul avançar para a compra do cacilheiro, detido pelo Estado, e que regressa a Lisboa no início de dezembro, sendo que já tem uma série de convites para ir à Colômbia, Monte Carlo, Macau e EUA, segundo Joana Vasconcelos à Lusa.

"Esta situação não é típica. Um projeto para a Bienal de Veneza normalmente depois desaparece, e este vai continuar a ser um projeto vivo, com imensas ações em Lisboa e noutros lugares do mundo", disse Joana Vasconcelos à Lusa.

A confirmarem-se estes destinos, mais visitantes irão juntar-se aos cerca de 100 mil registados em seis meses na Bienal de Veneza.

O Trafaria Praia nasceu de um processo de restauro no estaleiro da Navaltagus, no Seixal ao nível do exterior e exterior, comandado pela artista plástica Joana Vasconcelos.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?