André Saraiva, Mr. A e a pintura no MUDE

André Saraiva, artista plástico de origem portuguesa, inaugura hoje, às 19.00, uma exposição sobre os seus trabalhos no MUDE - Museu do Design e da Moda, em Lisboa.

"Não é uma exposição de graffitti" e "não é uma exposição retrospetiva", avisa André Saraiva, 42 anos, sobre a exposisão homónima que hoje inaugura no terceiro piso do MUDE, um best of dos seus trabalhos nos últimos 20 anos - Mr. A., o alter-ego (um olho em bola e o outro em cruz), os Dream Concerts, Love Graffitti, por exemplo.

O artista diz que a transgressão da lata de spray é para a rua. Na exposição usa técnicas do graffiti mas sem ser graffitti em as caixas de correio amarelas e sinais de trânsito. "Objetos lindíssimos" na sua opinião. Pertencem a fases mais recuadas da carreira.

A abrir, vários posters dos seus "Dream Concerts" [concertos de sonho], em que junta Sex Pistols, Joy Divison, The Clash ou "Dr. Dre vs. Jay Z" ou homenagens a artistas como Damien Hirst. "Nunca aconteceram e alguns nem são possíveis... mas resultaram". Havia fila à porta da sala onde o espectáculo imaginário que juntava franceses como Daft Punk, Justice e Air deveria acontecer.

Uma porta de discoteca abre caminho a uma cidade de "night clubs", edifícios cor de rosa a fazer lembrar o Empire State Building, outro dos projetos marcantes do artista. A saída (ou entrada) leva o visitante a vitrinas com os seus objetos preferidos, referências artísticas que vão do livro "O Estrangeiro", de Albert Camus ("Sempre me senti estrangeiro"), ao primeiro livro de fotos de graffitti, de Brassaï, ténis personalizados com o olho e cruz de Mr. A [mostras da relação de André Saraiva com diversas marcas de luxo] ou edições da revista "L'Offciel d' Hommes", de que é diretor criativo. Estão arrumados em vitrines que vieram do Museu de Arte Popular. "São lindas".

A exposição abre as portas hoje às 19.00 e fica até 28 de setembro. Antes das portas fecharem será mostrado o projeto em que André Saraiva está a trabalhar para a cidade de Lisboa. Um mural com 900 metros quadrados e mais de 100 de comprimento, junto à Feira da Ladra, uma parceria da Câmara Municipal de Lisboa com a Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, detida desde 2012 pela Prébuild."Uma partderá ser vista na parede ainda antes do final desta exposição", anunciou a diretora do MUDE, Bárbara Coutinho, esta manhã, na visita guiada à exposição.

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