A arte multiplicada de Júlio Pomar em mais de cem obras

O Ateliê-Museu mostra as obras que sustentaram o pintor em tempos difíceis, mais acessíveis a compradores com carteiras menos abonadas. Das varinas e dos touros até aos nus do século XXI.

As ilustrações usadas em três volumes do romance Guerra e Paz, de Lev Tolstoi", editado em 1956, e o volume gordo de O Romance de Camilo, de Aquilino Ribeiro, do espólio documental de Júlio Pomar, estão patentes a partir de quinta--feira na exposição do ateliê-museu do artista, em Lisboa. "Estas encomendas, que muitas artistas hoje rejeitam, são assumidas por Pomar e foram importantíssimas.

Nessa altura são o seu seguro, a única forma de receberem dinheiro", refere Sara Antónia Matos, a comissária da exposição e diretora do museu. "Ele mesmo diz que não podia pensar em recusar." Edição e Utopia é o título desta abordagem da obra do pintor português, a partir dos trabalhos reproduzíveis (serigrafias, gravuras, xilogravuras, litografias, desenhos).

Para lá da oportunidade de mostrar novos trabalhos do artista, um mês depois de ter sido assinada a escritura que cedia 400 peças do espólio ao ateliê por parte da Fundação Júlio Pomar, a exposição tem como objetivo lançar perguntas ao espectador de arte. "Havia a ilusão nos anos 60, quando se começa a multiplicar, de que haveria uma democratização da arte, o que não é verdade", começa por dizer Sara António Matos.

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