Arranca hoje o maior festival português de marionetas

A 23.ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), que arranca hoje, sofre com o aperto financeiro na cultura, mas continua a ser o maior festival do género em Portugal.

A imaginação que reina no universo das marionetas está bem patente quando um festival pode apresentar um espetáculo denominado "Western", do francês Massimo Shuster, com figuras bidimensionais cheias de histórias bem-humoradas, um outro vindo da Grécia, pela mão de Lita Aslanoglou, intitulado "Black Vinyl", em que pequenas marionetas dançantes evocam fantasmas e "fetiches" da cultura do "rock'n'rol", e ainda "Cabaret de insetos -- Dracularium Freak", em que os portugueses Tarumba reinventam os antigos circos de aberrações, recorrendo a sombras e figuras de papel articuladas.

Estas são algumas das propostas do FIMP que decorre a partir de hoje e até 23 de setembro, numa programação que inclui mais de três dezenas de iniciativas, entre espetáculos de rua, "workshops" e conferências.

O evento vai-se repartir por em espaços do Porto como a Casa da Música, Teatro Carlos Alberto, Mosteiro de S. Bento da Vitória, Auditório de Serralves, Teatro Helena Sá e Costa, Instituto Multimédia, Passos Manuel, Plano B ou Armazém do Chá.

O arranque está marcado para a Casa da Música, com "O Acidente" do Teatro Ferro, que será reposto no sábado, um espetáculo com dramaturgia, texto e canções de Regina Guimarães.

Este é um trabalho que, segundo o programa, se "organiza como uma visita guiada ao local de um enigmático sinistro", partindo do pressuposto que, do "desastre aparatoso à catástrofe de grandes proporções, são muitas as situações limite em torno das quais se cruzam desconhecidos e se levantam questões éticas, sociais, políticas e outras".

Na conferência de imprensa de apresentação da programação, Igor Gandra, diretor do FIMP, afirmou que este continua a ser um festival que "tem um olhar particular sobre aquilo que entende como marioneta contemporânea que engloba as manifestações artísticas que procuram a transformação da matéria inanimada em matéria animada e produtora de sentidos".

Um exemplo destes cruzamentos poderá ser visto no espetáculo "Plug", de Paulo Duarte e dos MECANIkA, a apresentar na próxima quinta-feira, que cruza as marionetas com os novos media interativos, ou em "Nos solitudes", da francesa Julie Nioche (no domingo), que explora as ligações entre a dança e a marioneta.

Os grupos do Porto têm uma forte presença, com a reposição do "Ovo"(terça-feira), do Teatro de Marionetas do Porto - o primeiro espetáculo após a morte do seu diretor e fundador, João Paulo Seara Cardoso -, e com "Os trabalhos de Hércules" (a 23 de setembro), um espetáculo familiar do Limite Zero, além da presença do Teatro Ferro.

Estes são só alguns dos espetáculos do festival, que inclui ainda apresentações na rua, com a reedição das "Sombras da rua de trás e arredores" e dos "Corpos extraordinários", e diversos "workshops" sobre a construção de marionetas e cinema de animação, por exemplo, e a possibilidade de trabalhar e discutir com alguns dos artistas presentes.

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