Dois dias para espreitar a casa de (alguns) vizinhos

Setenta edifícios estarão de portas abertas no fim de semana. Se lhe pedirem para tirar os sapatos não estranhe.

A casa que o arquiteto João Favila desenhou para a família na Baixa, num edifício do século XVIII, é uma das nove casas de habitação que vão estar de portas abertas no próximo fim de semana, dias 11 e 12, durante a terceira edição da Lisboa Open House. Em duas delas, em Santa Isabel, obras de Ricardo Bak Gordon, vai ser preciso tirar os sapatos ou, em alternativa, calçar uns pés hospitalares que a Trienal de Arquitetura providencia, para não danificar a alcatifa branca.

Em algumas é preciso marcação (através do site lisboaopenhouse.pt), em outras vale a ordem de chegada.

Os palácios continuam a ser os mais desejados, à terceira edição. São 70 os espaços visitáveis, de várias tipologias, mais 27 do que há um ano. Uma das novidades é a Casa da Severa, polo do Museu do Fado, tutelado pela Câmara Municipal de Lisboa, hoje um restaurante (e finalista dos prémios FAD 2014). Os espaços vão da Torre de Controlo Marítimo, de Gonçalo Byrne, em Algés, ao Parque das Nações e à sede da Vodafone Portugal, prémio Valmor em 2005, um edifício que ocupa dois quarteirões, da autoria de Alexandre Burmester (2000 e 2002).

A Lisboa Open House, filial da Open House Worldwide é uma iniciativa gratuita e sem fins lucrativos que começou em 1992, em Londres, e se realiza hoje em 24 cidades do mundo. Destina-se aos habitantes das cidades, ainda que sejam os estudantes e profissionais de arquitetura os seus maiores "clientes". Há um ano, foram 16 mil os visitantes.

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