Frank Gehry galardoado com Prémio Príncipe das Astúrias

O arquiteto norte-americano Frank Gehry foi hoje galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes 2014, em reconhecimento da "relevância e repercussões das suas criações" em vários países, com os quais "definiu e impulsionou a arquitetura".

A decisão foi anunciada pela Fundação Príncipe das Astúrias das Artes 2014, que, em comunicado, explica que a obra de Gehry se caracteriza por "um jogo virtuoso com formas complexas usando materiais inusitados, como o titânio, e a inovação tecnológica que teve um impacto em outras artes".

Como exemplo dessa "arquitetura aberta, natural, lúdica e orgânica", a Fundação cita o Museu Guggenheim de Bilbau, que "além da sua excelência arquitetónica e estética, tem tido um enorme impacto económico, social e urbana" no espaço que o rodeia.

Álvaro Siza Vieira foi uma das 36 candidaturas apresentadas à edição deste ano do prémio, o primeiro dos oito galardões anuais da Fundação Príncipe das Astúrias, considerados os Nobel espanhóis.

Gehry nasceu em 1929, em Toronto, mas tornou-se um cidadão dos EUA em 1947, depois de se mudar com os pais para Los Angeles.

Formou-se em arquitetura na California e começou a trabalhar no estúdio de Victor Gruen, tendo estudado ainda na Universidade de Harvard antes de se mudar, com a mulher e as filhas, em 1961, para Paris.

Em 1962 regressou a Los Angeles onde estabeleceu o seu próprio estúdio que nas últimas cinco décadas tem realizado projetos na América, Europa e Ásia.

O arquiteto tornou-se famoso nos anos 70 do século passado, especialmente pelo tpo de material que usa nas suas obras, passando a ser associado posteriormente ao movimento desconstrutivista norte-americano "caracterizado pela fragmentação e pela rutura com o processo de desenho linear, criando edifícios marcantes".

Entre as suas obras mais conhecidas contam-se o edifício Nationale - Nederlanden , conhecido como a Casa da Dança, em Praga (1996), o Museu Aeroespacial da Califórnia (1984), o Vitra Design Museum , em Weil am Rhein, Alemanha (1989) ou o Museu de Arte Frederick Weisman em Minneapolis (1993).

Destacam-se ainda a Torre de Gehry em Hannover (2001), o Instituto Stata Cambridge Center of Technology (2003), o Walt Disney Concert Hall (2003) e o Centro de Dundee, na Escócia, Maggie (2003).

O seu trabalho tem sido objeto de numerosos estudos e em 2006 o realizador Sydney Pollack realizou um documentário sobre Gehry que apresentou em Cannes no ano em que o arquiteto apresentou o projeto para o novo Museu Guggenheim em Abu Dhabi.

Gehry recebeu mais de 100 prémios em todo o mundo, destacando-se o Prémio Pritzker (1989), o Praemium Imperiale (Japão, 1992), a Dorothy e Lillian Gish (1994), o Friedrich Kiesler (Áustria, 1998) e a Medalha Nacional de Ouro do American Institute of Architects (1999).

Os Prémios Príncipe das Astúrias reconhecem o "trabalho científico, técnico, cultural, social e humanitário realizado por pessoas, instituições, grupo de pessoas ou de instituições".

No caso da categoria das Artes, a primeira a ser anunciada, das oito a atribuir, o prémio será outorgado àqueles "cujo trabalho na cinematografia, teatro, dança, música, fotografia, pintura, escultura, arquitetura ou outras manifestações artísticas, dê um contributo relevante ao património cultural da humanidade".

Os vencedores recebem uma escultura de Joan Miró, o montante de 50 mil euros, um diploma e uma medalha.

Em 2013, o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes foi atribuído ao cineasta e dramaturgo alemão Michael Haneke, realizador de "Amor", filme que lhe valeu a Palma de Ouro de Cannes, os prémios César do cinema francês, o BAFTA, da academia britânica, o Globo de Ouro e o Óscar de Melhor filme estrangeiro, entre outras distinções.

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