Bienal de Veneza abre com projeto português

A 14.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza vai ter uma inauguração prévia, a 05 de junho, e abre ao público dois dias depois, com Portugal a ser representado por um jornal com reflexão crítica sobre habitação.

O jornal tem como título "Homeland | News From Portugal", e vai ter três edições, em inglês, num total de 165 mil exemplares, que serão distribuídos gratuitamente, ao longo do certame internacional dedicado à arquitetura.

Ao contrário de edições anteriores, a representação portuguesa, não estará num pavilhão ou num espaço em forma de exposição, mas neste projeto definido como "dispositivo não convencional", pela Direção-Geral das Artes (DGArtes), organismo da secretaria de Estado da Cultura responsável pela representação oficial portuguesa.

O projeto é comissariado pelo arquiteto Pedro Campos Costa e terá produção da Trienal de Arquitetura de Lisboa, presidida pelo arquiteto José Mateus.

O jornal, segundo o projeto, irá reportar conteúdos noticiosos produzidos com base em duas áreas de reflexão: "Cronológica", onde se pretende perceber, através de várias perspetivas e pequenos estudos, qual a evolução da habitação em Portugal, e a "Propositiva".

Na reflexão "Propositiva", terá seis temáticas tipológicas, com seis projetos urbanísticos que decorrerão ao longo dos seis meses de duração da Bienal e que serão protagonizados por seis grupos de arquitetos, focados em seis cidades portuguesas.

As cidades são Porto, Matosinhos, Loures, Lisboa, Setúbal e Évora; as seis tipologias habitacionais são a temporária, informal, unifamiliar, coletiva, rural e reabilitação.

É intenção da DGArtes que sejam criadas propostas que fiquem para o futuro, como "instrumentos de intervenção que promovam e qualifiquem a arquitetura e o urbanismo em Portugal".

Quando o projeto foi apresentado, em março, a agência Lusa questionou o diretor-geral das Artes, Samuel Rego, sobre se o projeto de Portugal em Veneza foi condicionado pelo reduzido orçamento disponível - de 150 mil euros, metade do valor da edição anterior, em 2012 - Samuel Rego rejeitou a ideia, sublinhando que "resulta de uma grande capacidade de inovação".

Samuel Rego adiantou que os jornais vão ser distribuídos no decurso da Bienal por máquinas "estrategicamente colocadas no espaço da exposição".

Na mesma altura, o comissário Pedro Campos Costa disse à Lusa que "o formato de jornal, assumido para dar forma ao trabalho expositivo, permite uma abordagem gráfica e linguística mais direta e assertiva, sem no entanto deixar de ser reflexiva e profunda sobre os desafios que a arquitetura enfrenta no nosso país".

Adoc Architects, André Tavares, Artéria, Ateliermob, Like Architects, Mariana Pestana, Miguel Eufrásia, Miguel Marcelino, Paulo Moreira, Pedro Clarke, Sami Arquitectos e Susana Ventura são os arquitetos que vão participar no projeto de Portugal, em Veneza.

A 14.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza vai decorrer até 23 de novembro e tem como curador geral o arquiteto holandês Rem Koolhaas, autor do projeto da Casa da Música, no Porto, que definiu o conceito "Fundamentals" como tema base da edição deste ano.

Rem Koolhas sublinhou, quando foi convidado, que esta edição da bienal será sobre arquitetura e não sobre arquitetos.

AG // MAG

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