Arquiteto português distinguido internacionalmente

Assinado pelo arquiteto João Pedro Falcão de Campos, o percurso pedonal assistido do Chiado ao Castelo de São Jorge foi distinguido em Barcelona, com o prémio Fomento das Artes e do Desenho (FAD).

O jurí da 56.ª edição do prémio considera que a obra lisboeta é "capaz de sintetizar as virtudes da reabilitação e da técnica, resultado de um importante trabalho de investigação e de grande sensibilidade". O projecto integrava uma seleção de 60 obras, escolhidas das 381 em concurso, que, segundo o júri, "se afastam do culto do objeto e servem com rigor o lugar e as suas condicionantes". De acordo com este, o que se procurou premiar foi o retorno a uma "ética social e de serviço" e a "uma maior coerência entre meios e fins".

O percurso pedonal inclui edifícios na rua dos Fanqueiros (do n.º 170 ao 178) e na rua da Madalena (n.º 147 a 155) e tem como objetivo facilitar a comunicação entre a Baixa lisboeta e a colina do Castelo, através da articulação de elevadores e passagens. Num prédio da Rua dos Fanqueiros, onde também se instalou recentemente a sede da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, três elevadores internos garantem a facilidade de deslocação, também existindo passagem para o edifício da Rua da Madalena. Para além destes, atravessando o Largo Adelino Amaro da Costa, acede-se ao antigo Mercado do Chão do Loureiro, com outros elevadores que integram o percurso assistido. Com um orçamento inicial de nove milhões de euros e pago com as contrapartidas do Casino de Lisboa, o projeto resultou de um convite ao atelier de Falcão de Campos datado de 2009, sendo que o grosso das obras terminou em 2013.

Para o júri, esta forma de ligar a parte baixa da cidade à parte alta é uma resposta que tem em conta os constrangimentos que marcam a criação arquitetural na atualidade ao mesmo tempo que eleva a qualidade de vida na cidade, também promovendo a marcha a pé e contemplando as dificuldades das pessoas com mobilidade reduzida. O presidente do jurí dos FAD, Ramon Sanabria, em declarações ao El País, salienta os problemas que acarretam outras soluções, mais dispendiosas, como a escolha por elevadores panorâmicos e sublinha o fato do projeto ser "imaginativo e muito respeitoso" do ambiente que o rodeia, "com seus pátios e suas gentes". Promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, Sanabria diz tratar-se de "um bom exemplo do que se pode fazer se houver acordo entre público e privado".

Falcão de Campos sucede como vencedor nesta categoria dos FAD a João Luís Carrilho da Graça, com o Pavilhão do Conhecimento (1999), a Souto de Moura pelo Estádio de Braga em 2005, a João Maria Trindade, vencedor do FAD de Arquitetura em 2009 com a Estação Biológica do Garducho em Mourão e a Ricardo Bak Gordon com o projecto 2 Casas em Santa Isabel (2011). Noutras categorias, João Mendes Ribeiro venceu o FAD de Arquitectura e Interiorismo em 2004, e Pedro Gadanho, atual curador no Museum of Modern Art de Nova Iorque, foi vencedor do prémio de pensamento e crítica em 2012.

Para além do prémio maior, dedicado à arquitetura, os FAD também contemplam as categorias de Arquitetura de Interiores (vencedor de 2014 casa Entremurs, em Olot, dos arquitetos Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta), Intervenções Efémeras (Wild Furniture - La Auténtica silla de Barcelona, de Ariane Patout e René Müller) e Cidade e Paisagem (prémio para a intervenção no vale Trenzado del Vinalopó em Elche), além do galardão para Pensamento e Crítica (Juan Domingo Santos, por La tradición innovada. Escritos sobre regrésion y modernidad, e Nieves Fernández, por Utopías domésticas. La casa del Futuro de Alison y Peter Smithson).

O júri geral deste prémio criado em 1958 pela associação espanhola Arquinfad foi presidido por Ramon Sanabria e contou com os vogais Ángela García de Paredes, Marcos Catalán, Francesc Belart, Esther Brosa e o arquitecto português Ricardo Bak Gordon.

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