"Arquipélago é o meu primeiro livro da idade adulta"

Joel Neto garante que teve boas críticas mas nunca passou das três estrelas. Agora esteve a escrever um livro que era um jogo de equilíbrio de pratos chineses com mais de 40 linhas narrativas.

O açoriano que voltou a viver na Terceira e escreveu um romance sobre o regresso em vez da partida está em Lisboa para promover o seu mais recente escrito: Arquipélago. Chama-se Joel Neto e quase todos os dias nos últimos anos escreve uma coluna neste jornal. Mas o que coloca nessa crónica, intitulada A Vida no Campo, só dá para encher parcialmente uma das 440 páginas do seu romance. Que, contrariamente ao subtítulo na capa sobre o protagonista - Um homem que não sente os terramotos -, é como um autor bem diferente e que faz questão de se expor na conversa a propósito deste seu "primeiro" livro. Mesmo que já tenha publicado mão e meia de outros, como vai explicar mais à frente...

É um livro de vestígios. Dos ossos de um corpo infantil, da mítica Atlântida. Era essa a melhor ponta por onde pegar?

Nunca tinha pensado nisso, mas de facto este é um livro de vestígios. Diria até que tudo o que escrevo tem como pretexto os vestígios, a procura de um padrão e do corpo que se esconde por detrás deles. Talvez se possa mesmo dizer que toda a criação é feita a partir de vestígios e que, não sendo o objetivo do escritor explicar, são eles o que temos para mostrar.

Queira-se ou não, a sua imagem é a de um açoriano. Incomoda-o?

Eu sempre fui um açoriano em todo o lado onde estava, tinha era menos notoriedade. O facto de estar geograficamente nos Açores há três anos e dessa existência passar nos meus artigos de jornal torna mais evidente. Embora, como qualquer açoriano, reparo que o continente sempre teve quem lutasse pela preservação da sua identidade, já os Açores têm menos quem lute por isso e pareceu-me mais urgente juntar-me a essa causa do que à da identidade nacional.

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