Argerich regressa e traz uma das suas pianistas preferidas

A grande pianista argentina toca amanhã (19.00) na Gulbenkian, ao lado e à frente da russa Lilya Zilberstein

A meses de completar 77 anos, Martha Argerich regressa a Lisboa para tocar a quatro mãos e a dois pianos com uma das suas parceiras artísticas preferidas: Lilya Zilberstein. As duas já fazem recitais juntas desde 1999 e Lilya é uma visita frequente e "da primeira hora" no Festival Projeto Martha Argerich que a argentina criou em Lugano (Suíça), em 2002, e onde tem promovido muitos jovens artistas.

A parceria também já teve concretização discográfica, a saber: a Sonata para Dois Pianos, op. 34b, de Brahms, e o Concertino, op. 94 de Shostakovich, além de outas colaborações.

Amanhã, na Gulbenkian, as duas irão interpretar a transcrição para piano a quatro mãos que Claude Debussy fez dos seis Estudos em Cânone, de Schumann; mais o Concerto Pathétique, para dois pianos, de Liszt, e, a terminar, as Danças Sinfónicas, op. 45, de Rakhmaninov.

Se de Martha Argerich bastará dizer que se trata, em absoluto, de uma das maiores pianistas dos últimos 60 anos (há quase 70 que toca em público!), já Lilya Zilberstein não é tão conhecida. Curiosamente, ambas ganharam o Concurso Busoni (Bolzano) com 30 anos de diferença (1957/1987) e em ambos os casos isso sinalizou o início das respetivas carreiras.

Russa de origem judia, Lilya fixou-se na Alemanha em 1990, ano em que a Deutsche Grammophon lhe ofereceu um contrato. No ano seguinte, estreava-se com a Filarmónica de Berlim e Claudio Abbado (com eles, gravaria os Concertos 2 e 3 de Rakhmaninov). Desde 2015 que reside em Viena, após a sua nomeação para a cátedra de piano da Universidade de Música e Artes de Viena - a primeira mulher a ocupar tal cargo. Antes disso, ensinou por quatro anos na Universidade de Hamburgo, e continua a ensinar na Accademia Chigiana de Siena.

Na música de câmara, e para além de Argerich, Lilya costuma tocar com Maxim Vengerov (violino) e Gautier Capuçon (violoncelo). Os seus filhos, Daniel e Anton, são igualmente pianistas e apresentam-se profissionalmente como Duo Gerzenberg. Por vezes, a mãe junta-se-lhes para tocarem repertório a três pianos.Já Martha Argerich tem uma legião de colegas com quem tocou a quatro mãos ou a dois pianos, contando-se entre eles nomes como Nelson Freire, Daniel Barenboim, Evgeny Kissin ou Yefim Bronfman, além de nomes da nova geração como Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Polina Leschenko ou Gabriele Baldocci.


Argerich e Zilberstein

Obras de Schumann, Liszt e Rakhmaninov

Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, amanhã, às 19.00

Bilhetes dos 30 aos 70 euros

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