"Adoramos o Oliveira, é uma coisa quase religiosa"

Uma menina de boné do Mickey com a pala para trás, segue pela mão do pai. Tem seis anos. Está entre os muitos populares que ontem disseram adeus a Manoel de Oliveira.

Porque morreu uma pessoa muito famosa" - responde o pai, sem abrandar a passada, à pergunta da filha que leva pela mão. A menina, com cerca de seis anos, vestida com t-shirt branca, calças de ganga, camisola cor-de-rosa amarrada à cintura e um boné do Mickey com a pala virada para a nuca, queria saber o porquê de tanta gente no cemitério. Talvez um dia, mais tarde, venha a saber quem foi Manoel de Oliveira e se recorde de que esteve no cemitério no dia em que o realizador foi a enterrar. Talvez tenha feito mais perguntas e o pai lhe tenha explicado que o morto famoso nascera um século antes dela.

Mas recuemos um pouco no filme do dia e mudemos de cenário para a Igreja de Cristo Rei. Pouco passa das 13 horas e o corpo do realizador espera, de caixão aberto, com um laço branco na lapela e de pés virados para o altar, as exéquias e as derradeiras homenagens. No exterior, na praça D. Afonso V, a maioria dos figurantes são jornalistas, que vão tentando encher os diretos para as televisões e para as rádios com ainda poucos motivos de reportagem.

Uma mulher, na casa dos 40 anos, de máquina fotográfica na mão, aproxima-se dos repórteres e pergunta se é possível entrar na igreja. Satisfeitas as dúvidas, acaba por seguir para o interior. Agora está outra vez cá fora, de pé, ao lado do marido e do filho, e vai observando o aparato mediático. "Apesar da idade que ele já tinha foi um choque. Pensávamos que era eterno", confessa, depois de alguma relutância em prestar declarações. "Ontem, estava a almoçar com uns amigos quando recebi a notícia da morte por uma mensagem no telemóvel. Não consegui explicar-lhes o que estava a sentir naquele momento por saber que ele tinha morrido".

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