Abrantes vai investir 5 milhões em Museu Ibérico de Arqueologia e Arte

A Câmara de Abrantes vai investir cinco milhões de euros na construção do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), um equipamento tido como "central" no processo de regeneração urbana da cidade, revelou a presidente da autarquia.

Em declarações à agência Lusa à margem da VI antevisão museológica do MIAA, que hoje se realizou em Abrantes sob o tema da cerâmica e "8 000 anos a trabalhar o barro", Maria do Céu Albuquerque (PS) referiu ter "tudo pronto" para lançar o concurso público para a construção daquele equipamento, que estimou possa estar concluído "dentro de dois a três anos".

A autarca disse que apenas aguarda pela oportunidade de acesso aos fundos comunitários para submeter o projeto a candidatura e iniciar uma obra que afirmou ser "fundamental para a revitalização do centro histórico", no âmbito de um projeto mais vasto de regeneração urbana da cidade e que assenta na requalificação e musealização do Convento de São Domingos, situado naquela zona da cidade.

Um investimento que, segundo afirmou a presidente da Câmara Municipal, "permitirá uma afirmação cultural muito forte no contexto nacional e internacional, tornando público o acesso a uma coleção de valor inestimável e de foro privada, além da criação de um grande centro cultural que complementará as várias funções do centro histórico, como as residenciais, administrativas e comerciais".

Com um investimento inicialmente estimado de 13 milhões de euros, o projeto original de criação do museu desenhado pelo arquiteto Carrilho da Graça implicava a construção de uma torre de 27 metros para acolher as cerca de cinco mil peças que integram as coleções da Fundação Estrada ao nível de ourivesaria, armaria e arte sacra dos séculos XVI a XVIII, um projeto, entretanto, redimensionado.

"O projeto foi redimensionado, mas vamos honrar um conjunto de compromissos assumidos", assegurou a autarca, tendo feito notar que, "atendendo à atual conjuntura, seria irresponsável" avançar para este investimento nos moldes em que estava inicialmente previsto.

Desde 2008 e até ao dia de hoje a autarquia já investiu cerca de 1,5 milhões de euros nos estudos, elaboração e conceção do projeto, da autoria de Carrilho da Graça, a par de processos de investigação, promoção e divulgação das diversas coleções do acervo.

O futuro museu irá incluir coleções de numismática, arquitetura romana, medieval e moderna, relógios de várias épocas e uma exposição de arqueologia e história local, para além de ourivesaria ibérica com artigos recolhidos no que foi o antigo território da Lusitânia.

Uma das alas do MIAA será formada por artefactos arqueológicos pré e proto-históricos em pedra, cerâmica, bronze e outros materiais que representam a vida económica e social de várias culturas e povos que viveram no território que hoje é Portugal.

A coleção das cerca de cinco mil peças arqueológicas referentes ao período anterior à fundação da nacionalidade e relacionados com a Lusitânia, foram "recolhidas e adquiridas em leilões" ao longo de meio século, em vários pontos da Península Ibérica.

O acervo da Fundação Estrada será cedido à Câmara de Abrantes através de protocolo.

Associado ao Museu Ibérico, o espaço terá um centro de investigação que assegure a continuidade do estudo das coleções ali expostas e que sirva de pólo dinamizador de projetos de investigação e de parcerias com universidades, museus nacionais e estrangeiros.

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