Aberrações, western e rock 'n roll

A 23ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), apresentada hoje, sofre do aperto financeiro na cultura, mas continua com uma programação diversificada que consegue incluir freaks, western e rock'n'roll.

A imaginação que reina no universo das marionetas está bem patente quando um festival pode apresentar um espetáculo denominado "Western", do francês Massimo Shuster, com figuras bidimensionais cheias de histórias bem-humoradas, um outro vindo da Grécia pela mão de Lita Aslanoglou, intitulado "Black Vinyl" (ambos a a 19 de setembro) em que pequenas marionetas dançantes evocam fantasmas e fetiches da cultura do rock'n'rol e ainda "Cabaret de insetos -- Dracularium Freak" (a 21) em que os portugueses Tarumba, reinventam os antigos circos de aberrações recorrendo a sombras e figuras de papel articuladas.

Estas são algumas das propostas do FIMP que decorre de 14 a 23 de setembro, numa programação que inclui ainda espetáculos de rua, workshops e conferências a ter lugar em espaços do Porto como a Casa da Música, Teatro Carlos Alberto, Mosteiro de S. Bento da Vitória, Auditório de Serralves, Teatro Helena Sá e Costa, Instituto Multimédia, Passos Manuel, Plano B e no Armazém do Chá.

Na conferência que decorreu no Centro Português de Fotografia, que com a Porto Lazer e a iniciativa Manobras, são também parceiros do festival, Igor Gandra, diretor artístico do festival lembrou que "este é um ano marcado por um corte no orçamento, particularmente no dinheiro da Direção Geral das Artes, o que tem reflexos na programação do festival".

A opção acabou por ter de "diminuir a presença na rua" e de cortar "na programação internacional", reforçando a componente nacional e fazendo regressar ao Porto artistas com quem o FIMP já tinha relações, mas Igor Gandra promete que na "edição do ano que vem e na do ano seguinte as pessoas poderão ficar com uma ideia do que não veio este ano".

Para Igor Gandra o FIMP continua a ser um festival que "tem um olhar particular sobre aquilo que entendemos como marioneta contemporânea que engloba as manifestações artísticas que procuram a transformação da matéria inanimada uma outra visão da matéria inanimada em matéria animada e produtora de sentidos."

Exemplo destes cruzamentos poderá ser visto, por exemplo, no espetáculo "Plug" ( 20 setembro) , de Paulo Duarte e dos MECANIkA, que cruza as marionetas com os novos media interativos ou em "Nos solitudes", da francesa Julie Nioche ( a 16) que explora as ligações entre a dança e a marioneta.

Os grupos do Porto têm uma forte presença, com a reposição do "Ovo"(18 setembro), o primeiro espetáculo após a morte do seu diretor e fundador, João Paulo Seara Cardoso, com "Os trabalhos de Hércules" (a 23), um espetáculo familiar do Limite Zero e o "Acidente" (a 14), um espetáculo do Teatro Ferro, com músicas e textos de Regina Guimarães, a ser apresentado na Casa da Música.

Estes são só alguns dos espetáculos do festival, que inclui ainda apresentações na rua com a reedição das "Sombras da rua de trás e arredores" e dos "Corpos extraordinários" e diversos workshops sobre a construção de marionetas e cinema de animação, por exemplo, e a possibilidade de trabalhar e discutir com alguns dos artistas presentes.

"Este é um ano muito complicado mas é um ano que, também por isso, as pessoas não devem desistir de aparecer e não devem perder a curiosidade em relação à programação que temos para dar", concluiu Igor Gandra.

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