A revolução e os rebeldes estão com o Folio

À terceira edição, o Festival Literário Internacional de Óbidos dá sequência ao tema proposto pelo Presidente da República, a revolução, e amplia-o. O Folio tem menos dinheiro, mas mais parcerias.

Se o tema da terceira edição do Folio é "revoluções, revoltas e rebeldias", a organização não encontrou melhor local do que o Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, em Lisboa, para apresentar o programa do festival literário que decorre de 19 a 29 de outubro. E também porque, face à diminuição do orçamento - noticiada pelo DN na terça-feira -, a organização resistiu, ao agregar "vontades" e apresentando "um Folio diferente, que se reinventa e reestrutura" e que tem como objetivo a internacionalização, como disse a vereadora da Cultura de Óbidos, Celeste Afonso.

A reinvenção passa pelo reforço de parcerias existentes e pela criação de novos "cúmplices", como a organização diz. O escritor José Eduardo Agualusa e a jornalista Anabela Mota Ribeiro deixam de ser curadores, mas continuam a colaborar, assegura a vereadora. "Nos anos anteriores eles escolhiam os autores. Deixando nós de ter a verba, não há o que curar", admite.

A solução passa pelo INATEL assegurar as rédeas da Folia, a programação artística paralela ao Folio, e o coletivo constituído por Celeste Afonso (diretora do festival), o livreiro José Pinho (coordenador do Folio Mais) e Julita Santos (coordenadora/produtora) trabalharem em proximidade com as editoras e as instituições participantes. Resultado até agora: mais de duas dezenas e meia de autores, número recorde de nacionalidades e nomes de inquestionável relevância.

Ao DN, a diretora explicou como é que esta estratégia não pode resultar numa amálgama: "Essa questão de passarmos a ser uma montra é uma preocupação desde o primeiro momento, daí que sejamos muito seletivos. Quando definimos esta estratégia para o Folio tivemos sempre a preocupação de não fazermos um festival onde metemos tudo o que nos chega." Outro ponto de honra do festival é a programação da Folia. "Os espetáculos originais são outro ponto diferenciador. Ou seja, ou se iniciam no Folio ou são feitos para o Folio. A exceção é a exposição da Assembleia da República [O Nascimento de Uma Democracia, exposição de cartazes do 25 de Abril], que foi pouco apresentada."

Manuel Alegre, Valter Hugo Mãe, Mário de Carvalho, Dulce Maria Cardoso, Mário Cláudio, Carlos Querido e Anabela Mota Ribeiro, de Portugal; Fernando Aramburu, César Antonio Molina, Dolores Redondo, González Sainz, Mempo Giardinelli, de Espanha; Raduan Nassar, Milton Hatoum, Antonio Prata e Tati Bernardi, do Brasil; Laurent Binet e Maylis de Kerangal, da França; Anaïs Barbeau-Lavalette, Joseph Boyde, Rosemary Sullivan, Patrice Lessard, do Canadá; Jerónimo Pizarro e Plinio Apuleyo Mendoza, da Colômbia; Viktor Sebestyen, da Hungria; Sibila Petle-vski e Ivana Bodrozic, da Croácia, compõem o leque de autores confirmados .

Gonçalo M. Tavares regressa ao festival, mas para ministrar um curso de 12 horas sobre revolução tecnológica e outros temas. Na Folia, a oferta musical passa pela nova versão do espetáculo A Vida Secreta das Máquinas, de Rodrigo Leão, pela interpretação da obra do compositor brasileiro Aldir Blanc pela cantora Maria João, e pelos casamentos Vitorino e Chullage, Norberto Lobo e cante alentejano e Aldina Duarte com Carlão. A exposição de escultura O Aceitador do Medo, do moçambicano Gonçalo Mabunda, e a bienal Língua - Bienal de Expressividades Criativas Brasil/Portugal são outras atividades em realce. "É pela criatividade, pela inovação, pelo conhecimento, que nos podemos afirmar", conclui a vereadora, que reitera como prioridade de Óbidos o mote de "vila literária" e de "cidade criativa da literatura da UNESCO".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG