A nova moda do vinil: da feira da ladra aos leilões online

Os discos de vinil tornaram-se um objeto de culto. O mercado em Portugal, sobretudo das raridades, está no melhor momento.

Das poucas vezes que mudou de casa, Rui Miguel Abreu sentiu literalmente no corpo o peso da sua obsessão pelos discos de vinil, ao ter de carregar os cerca de 15 mil exemplares da sua coleção. "Os discos nunca nos parecem demais até sermos obrigados a levá-los às costas", afirma com humor o jornalista, um dos maiores colecionadores de vinil em Portugal. "Tenho uma sala só para os discos, mas vou ter de fazer obras em breve, porque já não tenho espaço para os meus pais dormirem quando me visitam", confessa. Antigo proprietário da Lollipop, uma loja de discos que nos anos 1990 ajudou a fazer a história do Bairro Alto, em Lisboa, Rui Miguel Abreu define a sua paixão como "uma questão geracional". "Foi o formato com que aprendi a gostar de música. Comecei a comprar discos durante a adolescência, no início dos anos 80. Praticamente cresci com o vinil e mesmo durante a década de 90, quando os discos quase desapareceram, mantive-me fiel a eles, porque muita da música que eu ouvia, como house, drum n" bass ou hip hop, privilegiava esse formato", lembra.

E nunca mais os abandonou, alargando, ao longo dos anos, a sua coleção com muitos discos comprados a preço de saldo. "Batia todas as feiras de velharias da Linha de Cascais. Sou do tempo em que éramos muito poucos, quase todos nos conhecíamos. Hoje já se veem muitos miúdos." Atualmente é na internet que faz muitas das suas aquisições. "Sou cliente sobretudo da Norman, da Boomkat e da Discogs, além das compras diretas que faço a artistas e editoras." Isto para edições novas, porque, no que diz respeito aos usados, continua a ser onde calha: feiras, lojas de velharias ou a particulares que se estão a desfazer das coleções. "Também tenho CD e oiço o Spotify, mas há certos géneros que só fazem sentido em vinil, de preferência nas edições originais, como é o caso do jazz ou da soul." Outra das suas preferências são os discos das editoras angolanas dos anos 70, que "há poucos anos se compravam por tuta e meia nas feiras e hoje estão bastante inflacionados, devido ao interesse dos estrangeiros. Alguns até vêm de propósito a Portugal só para os encontrar."

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