A massificação final de Avicii

A duração do espectáculo do DJ sueco Avicii decidiu o ambiente do palco de eletrónica do outro lado do recinto.

O Rock in Rio fecha esta edição com uma grande concentração humana a dançar e a celebrar a atuação do popular DJ sueco Avicii, que estava num elevadíssimo palanque, como se estivesse num quarto andar (sem exageros, nem figuras de estilo).

O bombardeamento de imagens em dois ecrãs centrais e nos habituais laterais é à velocidade dos beats. Multiplicam-se gigantes Aviciis em êxtase nos ecrãs, a gesticular para a multidão daquela forma esquisita, em coreografia com o pequenino e autêntico Avicii na sua alta mesa de programações.

Enquanto alguma pirotécnia emerge - com pequenos fogos-de-artifício, várias chamas e alguns fumos brancos -, são exibidas imagens do sistema solar ou de estruturas de cimento e de outras coisas da vida. Mas o volume de som altíssimo desta carroçaria pesada e quase descarrilada de
europop ensurdece desnecessariamente, enquanto muitos brindes luminosos da EDP abanam no ar e se veem comportamentos estranhos como um conjunto de miúdos a correr desalmadamente aos círculos, numa espécie de dança alternativa.

Na outra ponta do recinto, no palco da Eletrónica, o contraste é, estatisticamente, chocante. A loira Louisahhhh está quase abandonada na tenda, com umas míseras dezenas de pessoas a dançar. A culpa é de Avicii que continua a animar as grandes massas.

Quem ganha com o fim do espetáculo do DJ sueco é o coletivo Paranoid London. Mal finda a ação no Palco Mundo, uma grande migração humana atravessa todo o recinto em direção à discoteca do Rock in Rio (o palco da Electrónica, bem entendido), para a noite longa final do festival. E quem lá está a animar é a dupla de acid-house inglesa, que conta com o entretenimento de um MC mascarado de gangster que não para de vociferar durante a atuação frenética dos Paranoid London.

A discoteca do Rock in Rio manteve-se agitada de gente até ao DJ set de Rodriguez Jr iniciado às duas da manhã. A atuação em formato live dos históricos islandeses Gus Gus fora entretanto antecipada para a uma da manhã. O carismático e atlético vocalista Birgir Þórarinsson está de volta ao projeto de Daniel Ágúst Haraldsson, ele que deu um contributo assinalável nos dias em que os Gus Gus eram um coletivo numeroso de nove membros quando nos anos noventa deram nova vida ao trip-hop e publicaram o fascinante álbum Polydistortion que representou uma lufada de ar fresco para a editora de culto 4AD.

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