"A crítica inglesa tem muita força, não é como em Portugal"

O escritor José Eduardo Agualusa e o brasileiro Raduan Nassar foram dois dos 13 semifinalistas selecionados entre 155 autores a concurso ao Prémio literário Man Booker International.

Não é a primeira vez que um autor de língua portuguesa fica na restrita seleção de finalistas ao prestigiado prémio literário inglês Man Booker... É a segunda, e desta vez em dose dupla: o angolano José Eduardo Agualusa e o brasileiro Raduan Nassar. Sucedem a Mia Couto, da edição anterior.

Uma seleção que ainda está para dar muito que falar, pois a esta nomeação de 13 escritores segue-se uma escolha mais restrita, seis autores apenas, a anunciar a 14 de abril. O vencedor só será conhecido a 16 de maio, momento em que além de um cheque de 50 mil libras a dividir entre o autor e o tradutor poderá inscrever no currículo um prémio que faz vender milhares de livros e é um bom empurrão para novas traduções em língua inglesa e também noutros países - como costuma ser o caso nacional.

É claro que se o vencedor for José Eduardo Agualusa, um dos treze finalistas desta etapa, o Man Booker só poderá ter influência nas vendas porque todos os seus livros estão editados em Portugal. Nada que incomode o escritor, que em declarações ao DN, confirmou ter ficado "surpreendido" e "feliz" com a notícia: "Sei que este livro, [Teoria Geral do Esquecimento] tem tido muito sucesso em Inglaterra, tal como um anterior, O Vendedor de Sonhos." Diga-se que o jornal Independent já tinha destacado O Vendedor de Sonhos aquando do seu lançamento e que o romance agora selecionado teve direito a uma entrevista no Financial Times.

Não é só no Reino Unido que Agualusa tem procura, também nos Estados Unidos a sua obra tem vindo a ser editada: "Pelo menos, em língua inglesa, tenho seis romances traduzidos." Mas o que mais entusiasma Agualusa é a repercussão crítica sobre o que escreve nos jornais de ambos os países: "As críticas têm sido muito boas e, principalmente, bem feitas e com muitas ideias. E a crítica nesses países tem muita força, não é como em Portugal, onde cada vez tem menos influência e os que a fazem pouco prestígio gozam em função da falta de espaço e de meios na comunicação social, situação que piorou com a crise."

O que surpreendeu mais José Eduardo Agualusa foi a companhia em que estava, designadamente a de Raduan Nassar, um dos mais importantes autores brasileiros. 'Um copo de cólera' é o título da obra escolhida, uma das três que publicou antes de ter virado as costas ao mundo da literatura para se dedicar à agricultura nos anos 80. Os seus três livros estão traduzidos em vários países, sendo que em Portugal já foi publicado pelas editoras Cotovia e Relógio d"Água. Agualusa conhece bem a obra de Raduan mas desconhece a maioria dos "concorrentes". Elogia o seu colega de língua: "É extraordinário!" Confessa que dos outros está muito curioso em relação à escritora Elena Ferrante, que o intriga há algum tempo devido ao que se fala do quarteto de histórias napolitanas.

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