A brasileira da Letónia que também é portuguesa

Com os "deuses inspirados", Laura Rizzotto era para ir passar férias à Letónia e acabou em Lisboa na Eurovisão

Laura Rizzotto é a representante da Letónia na Eurovisão. A jovem de 23 anos chega à fase final do festival - vai atuar na segunda semifinal, a 10 de maio - por pura coincidência. "Candidatei-me como toda a gente. Estava já a pensar viajar para a Letónia com a minha família e vi um artigo sobre o concurso. Pensei porque não. Vou-me candidatar, quem sabe, vai ser em Portugal, ia ser divertido poder visitar a Letónia e Portugal. Acabou que deu certo, foi muito inesperado, mas deu certo", conta a jovem de 23 anos, em entrevista ao DN.

Na verdade, segundo o "pai coruja", como o próprio se define, "os deuses estão inspirados". Porque Laura Rizzotto, nascida no Brasil, tem ascendência letã, mas também portuguesa: "Por parte da minha mãe", explica. A intérprete de "Funny Girl" não conhecia o nosso país e está rendida. "Está a ser muito especial estar aqui, o povo português é um amor, eu já sabia disso há muito tempo, mas estar aqui e poder conversar em português, mais relaxado...", desfaba, no fim de mais um dia de ensaio, seguido de conferência de imprensa e entrevistas (o DN foi o último do alinhamento). Laura não tem dúvidas que tudo está a ser mais fácil porque "o português e o brasileiro se entendem, não sei explicar, tem uma ligação". Só espera agora que Portugal esteja com "a brazuquinha".

A fazer o mestrado em educação musical nos EUA - em Nova Iorque, na Universidade de Columbia - Laura não esconde que gostaria de fazer carreira na música e visitar mais vezes a Europa. Até porque, graças à Eurovisão fez amigos em todos os países. "Adoro conhecer gente do mundo inteiro. Não conhecia pessoas na República Checa e agora tenho amigos lá, na Islândia, Finlândia. De todos os cantos e da Espanha, estou a praticar o meu espanhol com a Amaia e o Alfred, todo o mundo está aqui. É uma competição, mas toda a gente está aqui porque gosta de música."

Uma ideia defendida também pelo pai, Rodolfo Rizzotto. "Para mim a Eurovision tem um significado diferente, porque sempre estimulei os meus filhos a ouvir músicas de outros lugares. A Laura está a descobrir a música da Letónia, aqui está a descobri a música de tantos países e este evento tem um espírito fantástico porque você não pode votar na música do seu país, tem que ouvir o outro e acho que isso está a faltar à humanidade, ou vir o outro e não tem melhor maneira de se comunicar do que através da música." Rodolfo até brinca que introduziu a música portuguesa "à força" à filha. "Comprei um dos primeiros CDs de Rui Veloso", recorda.

Nada preocupado com a prestação da filha, Rodolfo Rizzotto começa por dar os parabéns a Portugal pela organização: "Estou muito orgulhoso, em primeiro lugar, de Portugal, acho que fez uma conquista extraordinária." Filho de letãos, Rodolfo lembra também que a Letónia celebra agora o centenário da independência, e depois claro, não deixa de referir o orgulho que tem na filha. "Não tenho nenhuma preocupação em relação à Laura, ela é muito segura, é a paixão dela, ela não tem nenhum temor do palco. Digo para ela: seja feliz e se divirta. O resultado não depende dela, mas ela está aqui a representar o Brasil, a Letónia, ela tem a nacionalidade letã como eu, e também vai estar representando Portugal porque toda a família da minha esposa é portuguesa".

Depois da "sucessão de coincidências" da participação na Eurovisão ter começado com a preparação de uma viagem de férias, Laura espera que este palco, que chega a 200 milhões de pessoas em todo o mundo, lhe abra portas e lhe traga mais experiência. "É uma plataforma que a gente sonha ter e, ter a oportunidade de fazer isso com uma música que escrevi sozinha, a "Funny Girl", é uma grande experiência. E vamos ver o que acontece depois."

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