007: Ao serviço dos realizadores

São os atores quem assume os créditos mais óbvios. Mas que influência tiveram os realizadores?

A longa vida de uma marca resulta de uma origem bem consolidada. Foi assim com o agente 007 - personagem dos livros de Ian Fleming - que o cinema lançou para a mitologia. No eclodir da série em 1962, com Dr. No, o realizador Terence Young foi o grande responsável pelo molde cinematográfico da criação literária, dando a um escocês de origens modestas, o refinamento de um agente secreto apto para seduzir em todas as circunstâncias.

Sean Connery, esse primeiro James Bond, lançava as bases de uma ágil e elegante postura física diante do perigo, e um registo cru de espionagem. Sob o comando de Guy Hamilton os filmes ganham espetacularidade, com vilões complexos e o agente a ter mais estilo do que nunca. Veja-se a cena inicial de Goldfinger (1964), quando Bond, debaixo de um equipamento de mergulho, faz surgir um impecável fato branco de cerimónia.

O modelo reitera-se com Lewis Gilbert, e com John Glen. Mas este último, recordista na realização da série, com cinco filmes, procurou um retorno ao cenário inicial da Guerra Fria. Um caso isolado é 007 - Ao Serviço de Sua Majestade (1969), o sexto filme, e o único que Peter Hunt realizou, com um desconhecido e mal-amado George Lazenby no papel do agente. Apesar disso, deu uma profundidade emocional rara à tragédia pessoal de Bond.

O mesmo Hunt, que na mesa de montagem dos primeiros títulos, tinha sido responsável pelo intenso ritmo de algumas das mais emblemáticas sequências... Sucederam-se realizadores, com uma missão nada secreta: continuar a fazer da série um êxito de bilheteiras. Nos anos 90, com Martin Campbell, a fantasia de encher o olho voltou a ser senha em GoldenEye, mas foi também ele que lidou de forma competente com a psicologia de sombras de Casino Royale (dez anos depois). Os realizadores da recente fase permanecem, aliás, nessa oscilação, entre a magia do espetáculo e uma visão humana e realista do mais célebre agente secreto do cinema.

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