Prémios do Pen Clube distinguem sete autores

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Pedro Canais, de 43 anos, é o grande estreante dos prémios literários do PEN Clube Português relativos a 2004, que foram ontem tornados públicos. O seu romance A Lenda de Martim Regos (Oficina do Livro) conquistou o prémio para a Primeira Obra, aliás, o único que não foi atribuído ex aequo.

Nas restantes modalidades, os vencedores foram todos ex aequo. Na Poesia ganhou Ana Marques Gastão com Nós/Nudos (Gótica) e Luís Quintais com Duelo (Cotovia); no Ensaio venceu José Gil, com o seu penúltimo livro Portugal Hoje. O Medo de Existir (Relógio d'Água) e José Tolentino de Mendonça, com A Construção de Jesus (Assírio & Alvim); na Ficção conquistaram o primeiro lugar Ana Teresa Pereira com Se nos Encontrarmos de Novo (Relógio d'Água) e Rui Zink com Dádiva Divina (Dom Quixote).

Os prémios literários PEN Clube Português, que vão na 26.ª edição, têm o valor pecuniário de cinco mil euros por modalidade e 2500 para a Primeira Obra, sendo patrocinados pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. "Houve um conjunto de candidatos muito forte e havia indicações para não se darem prémios de consolação, mas sim ter por princípio a finalidade de revelar nomes. Este ano havia muitos livros importantes", observou ao DN o presidente do PEN Clube, Casimiro de Brito.

Ana Marques Gastão, 43 anos, nossa colega do Diário de Notícias e crítica literária, disse que "qualquer galardão significa algum reconhecimento". Este, do PEN Clube, deixou-a "particularmente feliz" por a decisão sair de um júri "especialmente qualificado". A poeta reparte o prémio com Paula Rego, que a inspirou para o livro, lançado no Festival de Artes e Letras em Barcelona, na exposição "Cinco Pintores da Modernidade Portuguesa", tendo obtido apoio do Instituto Camões para a edição bilingue.

Rui Zink, um dos vencedores da Ficção, foi parco em palavras, mas mostrou-se "muito contente" com "esta honra". No seu livro Dádiva Divina, o autor conta a história de um detective que procura Jesus e que o encontra. "É um livro sobre as nossas vidinhas" disse, irónico.

Também sobre Jesus, mas noutra perspectiva, debruça-se o ensaio premiado de José Tolentino de Mendonça, 39 anos. A Construção de Jesus, disse o próprio ao DN, "é a abordagem ao modo como o Evangelho de São Lucas vai construindo a figura de Jesus". O premiado considera que o prémio "vem iluminar e distinguir uma área do estudo da Teologia, que entre nós ainda é uma área do saber quase clandestina e marginal".

O estreante Pedro Canais, publicitário na SIC, uma actividade que está ao mesmo nível da escri- ta, segundo o próprio, tem três ensaios terminados, mas este foi o que achou ser o melhor para a primeira publicação.

A Lenda de Martim Regos é um romance histórico, onde "o passado é a matéria-prima para a história" que o autor explica ser "a grande síntese do que parece urgente dizer sobre as minhas inquietudes e perplexidades".

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