PCTP/MRPP: Garcia Pereira leva a carta aos eleitores que só pensam na abstenção ou votar em branco

Contra o silenciamento na comunicação social, MRPP vai porta a porta. O líder do partido explica que ficar em casa é deixar que as máquinas partidárias decidam pelas pessoas
Publicado a
Atualizado a

"Está a patrocinar que partido?", atirou o jovem a Garcia Pereira, provocando o riso dos outros colegas pelo verbo inusitado. O candidato não desarma: percebeu o sentido da pergunta e responde de enfiada, "sou do PCTP/MRPP", partido que comemorou 45 anos no dia 18 de setembro. E logo ali Garcia Pereira explica o desconhecimento do rapaz: "Não ouvem falar de nós porque as televisões não andam connosco."

Depois de justificar a atitude da comunicação social com a lei que os partidos parlamentares aprovaram em julho, o líder do MRPP diz como se faz: "Por isso nós vimos porta a porta." Àquela porta, Garcia Pereira foi bater por acaso. Andando pela rua, em "contacto com a população" de Vila Franca de Xira, o candidato encontra um "velho conhecido" que o convida a visitar o Centro Internacional de Formação dos Trabalhadores da Indústria e Energia.

Nas aulas por onde entra, Garcia Pereira aproveita para dizer ao que vem o PCTP. E pede o voto, da mesma forma humilde com que aborda nas ruas as pessoas. "Vamos deixar-vos ali o nosso manifesto, leiam. Se concordarem, não fiquem em casa no dia 4 de outubro." Um rapaz promete ir votar, mas em branco. "Não faça isso", atira-lhe o candidato. "Não ir lá ou votar em branco só facilita a vida das máquinas partidárias." O jovem insiste: "É para verem que não gosto de nenhum." Garcia replica. "Não deixem que outros decidam por vós."

Será uma constante na volta que arranca junto do tribunal e percorre o centro da cidade, onde se vai preparando as "esperas e largadas de toiros" no fim de semana das eleições. Há uma grandiosa corrida anunciada para as 17.00 de domingo, mas a lide de Garcia Pereira é outra. "Fora do euro" é a palavra de ordem que repete, enquanto entrega um folheto (já corrigido, sem a expressão "morte aos traidores", apesar de ainda terem sobrado alguns), que explica com números e propostas a quem o vai ouvindo, para contrariar aqueles que prometem a abstenção ou o voto branco.

Para o líder do PCTP, nestes dias não se discute "aquilo que são os problemas que verdadeiramente afetam o povo português", explica ao DN. Somando-se "temas tabus, dos quais estão à cabeça a dívida - que quer o PSD e CDS quer o PS acham que deve ser paga, mas não dizem ao povo português como é que vão pô-lo a pagar - e o euro, que é o garrote que nos tirou completamente a nossa independência, para além de nos ter destruído a nossa economia". E Garcia Pereira sentencia ao DN: "Uma campanha eleitoral em que estes temas não são discutidos, não pode suscitar um particular interesse e empenho do povo."

Empenha-se o advogado. Folhetos na mão, são 10.45, ainda não chegou o carro que traz as bandeiras vermelhas da foice e martelo, com o som que intercala A Internacional e o pedido para o partido ter "uma representação parlamentar", estende a mão e explica o manifesto. Há quem lhe pergunte pela unidade de esquerda. Como aquela mulher socialista, sentada numa esplanada. "Sr. Garcia Pereira, gosto muito de o ouvir a falar, mas devia haver uma unidade de esquerda."

O cabeça de lista por Lisboa argumenta que só o pode fazer "com base em princípios". E isso "não se faz piscando o olho à esquerda e governando à direita". Mas, avisa, não está a falar do PS, "que tem muitos trabalhadores", que pensam como o PCTP, mas "do António Costa". "Os pontos de vista diferentes em nada prejudicam o diálogo franco e aberto, para chamar a atenção para a necessidade de os democratas e patriotas se unirem para salvarem o país de um desastre", explica ao DN. Mas essa unidade "far-se-á contra o sr. Costa, cuja política é idêntica à do sr. Coelho e do sr. Portas".

Falta chegar ao Parlamento. Para mudar a página de um país "que tem dois milhões e meio de pobres, em que um terço das crianças passa fome, que tem 1,4 mil milhões de desempregados e mais de um milhão de pensionistas com pensões inferiores a 300 euros mensais".

Diário de Notícias
www.dn.pt