Confirmaram-se as expectativas. Alberto João Jardim demitiu-se do cargo de presidente do Governo Regional da Madeira, tenta provocar eleições antecipadas e recandidata-se ao cargo. Uma oportunidade para os madeirenses "mostrarem ao País e ao mundo" que "repudiam a maldade e a injustiça" do Governo Sócrates, que lhes impôs a Lei das Finanças Regionais. .Na declaração aos madeirenses lida ontem, no final da tarde, Jardim apresentou os argumentos para a decisão. O Governo da República e as políticas do primeiro-ministro, com especial enfâse para a Lei de Finanças das Regiões Autónomas são os verdadeiros culpados que o forçam a tomar esta atitude. No dia em que o diploma foi publicado em Diário da República, o improvável aconteceu na história política da Madeira. Um governo com maioria absoluta extremamente confortável, eleito há dois anos, provoca a sua queda para voltar a ser sufragado com o mesmo candidato a líder..Na intervenção tudo ficou muito claro num cenário dramático que evoca os primeiros sinais de uma campanha eleitoral dura que se aproxima. "Decidi apresentar a demissão do Governo Regional, o que implica a dissolução da Assembleia Legislativa da Madeira já que a maioria social-democrata inviabiliza a formação de qualquer novo executivo. Assim, e nos termos da Constituição da República, terão de ocorrer eleições regionais para um mandato até 2011", disse Jardim com ar solene e seguro. .Passavam poucos minutos das 19 horas e o "suspense" quebra-se, apesar de a surpresa ter vindo a desfalecer longo do fim-de-semana. Faltava saber as razões..Comecemos pelas "violações" da Lei Fundamental, do Estatuto Político-Administrativo, ou seja, "os direitos de cada um dos madeirense" vítimas do "poder de Lisboa" que, com "a cumplicidade e a traição de socialistas locais, publicou a lei de finanças regionais", a "lei pérfida" tantas vezes citada por Jardim ao longo dos últimos meses, "subtraindo-nos assim, pelo menos até 2014, à volta de 450 milhões de euros". .O líder demissionário desenhou um quadro "gravíssimo"- daí transferir para os madeirenses a oportunidade de "mostrarem ao país e ao mundo", através do direito de voto, que "repudiam a maldade e a injustiça feitas contra cada um de nós, contra todos nós, seja qual for o partido em cada um votou"..E para que tudo fique claro, Jardim demiti-se. A prova de que não está "agarrado ao poder". Coloca-se nas mãos do povo: "Ao recandidatar-me à liderança do governo regional demonstro que não fujo, nem abandono, quando as circunstâncias estão insuportavelmente muito difíceis", disse. .Recandidata-se porque acha que a Madeira "não merece passar a ter um governo de medíocres, de incultos, de traumatizados sociais e de subservientes a Lisboa", numa alusão ao PS/Madeira. Com esta afirmação, parece não acreditar que outra figura do PSD/M, a não ser ele próprio, possa vencer eleições na Madeira. Como Jardim sucede, mais uma vez, a Jardim, desde 1978, o líder de sempre pede aos madeirenses mais quatro anos, "apesar das dificuldades inesperadas pois só assim terá tempo para concretizar "serenamente" o programa de governo, tempo para "ajudar o portuguesas a mudar este governo da República", a preparar a futura revisão constitucional (2009), permitindo-lhe ainda criar uma mudança estruturante de um novo ciclo, caracterizado por mais investimento privado e maior internacionalização da economia regional..Mas esta não é a primeira vez que Jardim pede "tempo" aos madeirenses. Em 1996, garantiu ao eleitorado que era o seu último mandato. "Só mais uma vez", foi a frase mais dita em toda a campanha.