seca custou ao País 286 milhões de euros. Estas foram as contas feitas pelo Governo e divulgadas ontem no relatório final da Comissão para a Seca. Na cerimónia de apresentação deste balanço, os ministros do Ambiente e da Agricultura minimizaram a situação actual, afirmando ser cedo para afirmar que o fenómeno se vai repetir este Verão..Na contabilização dos prejuízos feita pelo Governo, a principal factura vai para o sector agrícola, onde se estima haver custos de 39 milhões de euros. No entanto, como explicou o ministro Jaime Silva, a avaliação contempla apenas os custos directos do Orçamento do Estado. Ou seja, o dinheiro disponibilizado na aquisição de cereais, na ajuda aos produtores de pecuária extensiva, na bonificação dos juros das linhas de crédito criadas para apoiar o sector e na isenção do pagamento à Segurança Social. Tudo medidas excepcionais tomadas pelo Executivo durante o ano..De fora ficam os apoios comunitários e, mais importante ainda, todo o esforço financeiro desembolsado pelos agricultores. Custos reais que poderão fazer crescer drasticamente estes números. .Assim, as verbas gastas por cada agricultor, por exemplo na aquisição de palhas, e as quebras de produção não ficam estimadas nestas contas. O ministro referiu que houve produções com perdas de 40%, nomeadamente nos cereais. Muitos produtores optaram mesmo por não lançar as sementes à terra com medo de não colher. Ainda durante o Verão, a Confederação dos Agricultores de Portugal estimou em 1,8 mil milhões de euros os prejuízos causados pela falta de água no sector..Para além da agricultura, os custos sectoriais abrangem o abastecimento urbano, ou seja, as verbas que as autarquias tiveram de gastar no transporte de água aos cidadãos. E ainda as campanhas de sensibilização da população (700 mil euros) e os custos com os incêndios florestais (mais de oito milhões de euros). Esta verba explica-se essencialmente pela necessidade que ocorreu este ano de alargar a época de fogos..O relatório da Comissão para a Seca ressalva ainda que houve muitos pedidos de apoio financeiro por parte das autarquias que não foram contemplados com ajudas devido às limitações da Administração central. Nesta situação estão 17 municípios que não viram os seus pedidos de apoio reconhecidos..Avaliação.A auto-avaliação que o Governo faz da gestão do problema é bastante positiva. "Apesar das dificuldades e das restrições, as medidas tomadas permitiram prevenir alguns problemas e o impacto económico e social não teve a proporção da gravidade da seca", afirmou o responsável do Ambiente, Nunes Correia..Apesar do sucesso, há que tirar ilações do problema, consideraram os governantes, confiantes de que este é o momento para lançar medidas estruturantes. No sector da agricultura, Jaime Silva anunciou o retomar do plano nacional de regadio, que permitirá levar água a novas zonas agrícolas. A necessidade de criar reservas estratégicas de água é uma conclusão óbvia decorrente das carências deste ano. Por isso, o retomar da construção da barragem de Odelouca, no Algarve, é para a tutela do Ambiente uma questão fulcral..No entanto, a grande aposta deve ser o uso racional da água, realçou o ministro do Ambiente. Nunes Correia disse que "é a partir do uso eficiente e criterioso da água que queremos assegurar que não há escassez". Para cumprir este propósito, o Governo criou uma comissão interministerial que vai estudar a forma de implementar o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água..O cenário actual do País, com muitas albufeiras e reservas de água a metade da sua capacidade não é, para já, motivo de preocupação para o Governo e não deve suscitar situações de alarme. Os governantes lembraram que Fevereiro e Março são meses essenciais para a reposição dos níveis de armazenamento.