A liberalofobia de António Costa

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Já suspeitávamos, mas ficou confirmado no debate da apresentação do programa do Governo. António Costa padece de fobia do liberalismo. Basta a palavra para o pôr nervoso. Para lhe provocar urticária. Para que o "optimista irritante" deixe de ser optimista.

Isto ficou evidente na primeira sessão parlamentar da nova legislatura. O primeiro-ministro concentrou a sua artilharia verbal na IL, que insiste em exigir ao Governo que coloque o país no patamar superior do crescimento europeu. Para ultrapassarmos esta estagnação em que vinte anos de governação socialista desde 1995 nos deixaram.

É uma exigência que as parcelas mais jovens e dinâmicas da sociedade portuguesa reclamam. Porque não se resignam a ver Portugal ultrapassado, nos índices de crescimento e prosperidade, por Estados europeus que entraram muito depois de nós no espaço comunitário.

Quando a IL reclama maior liberalismo, António Costa responde com a receita do costume: mais socialismo. É a receita errada, como a realidade demonstra. Neste quarto de século, houve liberalismo a menos e socialismo a mais no nosso país. Esta é uma das causas estruturais do nosso atraso.

A este primeiro-ministro, há uma palavra que parece intimidá-lo: a palavra liberalismo. Como se esta não fosse uma das principais famílias políticas europeias. Como se não simbolizasse as políticas seguidas pelos países mais desenvolvidos social e economicamente.

Em Portugal é ao contrário. Temos um chefe do Governo com alergia ao liberalismo, que prefere dialogar com a esquerda extremista e sectária. Como vimos entre 2015 e 2021, quando o PS se aliou ao partido comunista mais ortodoxo do continente europeu e aos herdeiros ideológicos do trotskismo para pôr em marcha a sua estratégia governativa.

Apesar deste pavor que o liberalismo lhe provoca, António Costa não perde uma oportunidade para invocar as sociedades liberais quando lhe dá jeito. Como há dias voltou a acontecer, quando apontou a Holanda - os Países Baixos - como exemplo de sucesso na solução dos problemas da habitação.

Foi um exemplo bem escolhido. Só faltou dizer o essencial. O sucesso holandês deve-se ao facto de ser uma sociedade assente em sólidos valores liberais. Não apenas na habitação. Os holandeses estão habituados ao liberalismo também na educação, na saúde, na segurança social e na fiscalidade.

Confiam mais na sociedade civil do que no Estado para a resolução dos problemas. Ao contrário dos socialistas, que dão prioridade total ao sector público, que desconfiam da sociedade, que asfixiam os cidadãos em impostos e prestam culto à burocracia estatal.

Esta aversão do primeiro-ministro ao liberalismo é um caso grave. Mas talvez não seja incurável. Quando invoca os Países Baixos como exemplo a seguir em matéria de habitação, António Costa transmite alguns sinais de desencanto com as receitas socialistas. Ainda só estamos no início da legislatura. Pode ser que nesta nova etapa da sua governação o liberalismo, para ele, comece a fazer sentido. Por acelerar o elevador social, por combater o peso excessivo de um Estado tentacular, por nos equiparar à Europa onde o progresso é realidade e não miragem.

Não é preciso inventar nada. Basta olharmos o espaço europeu e percebermos que países podem servir-nos de fonte de inspiração. Começando por aqueles que até o chefe do Governo português agora também já aponta como exemplos. Sinal de que esta sua liberalofobia pode ter cura.


Deputado.
Escreve de acordo com a antiga ortografia

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