Professores emigrados com salários atrasados

Educação. Os 500 docentes que estão a ensinar português na Europa estão descontentes com as condições de trabalho e as novas regras aprovadas pelo Governo que os vão obrigar a escolher entre regressar a Portugal ou perder o vínculo à escola de origem. Nos EUA e África também há queixas

Joaquim Prazeres, de 50 anos, está no Luxemburgo há onze, a ensinar português, mas pela primeira vez não sabe o que o espera. No próximo ano terá de decidir se vai continuar naquele país, abdicando do vínculo à sua escola portuguesa de origem, ou regressar a Portugal. Isto, devido às novas regras aprovadas pelo Governo para o ensino do Português no estrangeiro, que estão a revoltar os docentes.

"A situação é muito instável" disse o docente ao DN, referindo-se ao facto de ser obrigado a ter uma licença sem vencimento num estabelecimento português, enquanto está lá fora - uma das exigências das novas normas.

Esta não é, porém, a única queixa dos mais de 500 professores de Português que estão na Europa. Outro dos problemas é o atraso nos pagamentos dos ordenados nos últimos meses, garante Carlos Pato, secretário-geral do Sindicato dos Professores no Estrangeiro (SPE), também a leccionar no Luxemburgo. "O meu telefone não pára, com telefonemas de professores de França, Suíça, Alemanha" para saber quando recebem, conta o docente, explicando que o vencimento costuma chegar dia 23 de cada mês, mas que agora só tem sido pago a dia sete do mês seguinte.

Além disso, o sindicalista queixa-se dos cortes nos subsídios de apoio feitos nos últimos anos, ao abrigo da reforma deste ensino que começou em 2006. "Os professores vivem pior do que há uns anos e perdem interesse em ir para o estrangeiro", alerta, sublinhando que só vai quem "não arranja colocação em Portugal".

"Começaram a chegar cada vez mais com pouco ou nenhum tempo de serviço, e sem experiência, o que tem implicações na qualidade do ensino", acrescenta.

Segundo explicou ontem ao DN o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, a reforma de 2006 teve como objectivo acabar com situações injustas. "Havia professores no topo da carreira que mantinham a ligação à escola de origem, muito bem pagos a trabalhar lado a lado com outros contratados a ganhar muito menos." Por isso, explica o governante, decidiu-se apostar na contratação anual.

Mas para o SPE, a estratégia visou sobretudo reduzir as despesas com este subsistema de ensino, que só abrange Europa, África do Sul e Namíbia. O sindicato está ainda preocupado por, em breve, a tutela dos professores do estrangeiro passar do Ministério da Educação para o Instituto Camões - que já gere o ensino da língua no ensino superior, com 389 docentes em 64 países. "Se for para destruir o ensino de Português parece uma boa medida", diz Carlos Pato. |

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