Morreu Maria de Jesus a mulher mais velha do mundo

Óbito. 'Supercentenária' tinha 115 anos

A mulher mais velha do mundo, a tomarense Maria de Jesus, morreu ontem, aos 115 anos, naquela cidade. A "supercentenária", que completou os 115 anos a 10 de Setembro, encabeçava uma lista mundial da qual faziam parte 88 pessoas com mais de 110 anos.

A "supercentenária" vivia com a filha, Maria Madalena, na aldeia de Corujo, Tomar. Maria de Jesus morreu pouco depois das 10 horas, a caminho do Hospital de Tomar, para onde seguia de ambulância. Segundo a filha disse ao DN, Maria de Jesus "não tinha problemas de saúde e a sua ida ao hospital foi só por precaução, devido a um ligeiro inchaço que lhe apareceu nas mãos". Apesar da idade, Maria de Jesus continuava a tomar só meio comprimido por dia para a tensão arterial.

Maria Madalena diz que a mãe "tomou o pequeno-almoço bem, mas estava enfraquecida". Maria Madalena contou ao DN que seguiu atrás da ambulância, à boleia de um vizinho, e, quando chegou ao Hospital de Tomar, recebeu a notícia da morte súbita da mãe.

O presidente da Câmara de Tomar, Corvêlo Sousa, lamentou a morte de Maria de Jesus. Enalteceu o carácter da "supercentenária" tomarense, "senhora persistente, lutadora, que viveu com dificuldades e conseguiu superá-las, vivendo um período de tempo fora do comum".

O funeral realiza-se hoje, às 15 horas, para o cemitério da freguesia da Madalena.

Maria de Jesus passou o Natal e a passagem de ano rodeada da atenção e do carinho da família. "Filhos, netos e bisnetos vieram no dia de Natal e almoçámos todos juntos, mas nem se apercebeu bem do que se passava à sua volta, pois não reconheceu bem os netos e bisnetos."

"Era já como se fosse um bebé, tinha de a lavar, vestir e de lhe dar a comida à boca", diz Maria Madalena, que dedicou a sua vida a tomar conta da mãe, recusando interná-la num lar.

Natural de Urqueira, em Ourém, Maria de Jesus, que ficou viúva aos 57 anos e não voltou a casar, teve seis filhos (uma morreu à nascença e dois recentemente), 11 netos, 16 bisnetos e cinco trinetos.

Quando nasceu, a 10 de Setembro de 1893, Portugal era um reino governado pelo rei D. Carlos. Filha de mãe solteira e de família humilde, aos 12 anos, sem ter frequentado a escola, já trabalhava arduamente no campo. Chegada à idade adulta, sofreu, como a maioria dos portugueses, as dificuldades provocadas pelas duas grandes guerras e sobreviveu à ditadura de Salazar, de quem "nunca" gostou, porque "no tempo da ditadura o povo vivia na miséria". Festejou a chegada da democracia no 25 de Abril, pelas "melhorias que trouxe para a vida do povo" e teve a maior festa da vida quando a vieram buscar numa "limusina" com motorista para visitar a Expo'98, onde teve tratamento VIP, por ser a pessoa mais velha a visitar o certame.

Tinha já mais de cem anos, ainda quis aprender a ler e escrever. "Um professor veio cá a casa uns meses, mas ela já não conseguiu", conta a filha.

Como tantos idosos portugueses, Maria de Jesus vivia com dificuldades. Recebia uma pensão de 370 euros, "já com os extras todos incluídos, como os 60 euros para as fraldas e os apoios da Segurança Social", explica a filha.|

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