Putin é alvo da canção da Geórgia na Eurovisão

Eurovisão. A polémica no Festival da Canção já faz parte da sua imagem de marca. Desta vez por causa do título da música de um grupo georgiano, 'We don't wanna put in', que está a ser visto como um ataque ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, depois do conflito recente na Ossétia do Sul

Mira Awad e Noa, duo árabo-judaico por Israel, foi alvo de pressões

"We don't wanna put in" é o título da canção que está a gerar mais uma polémica no Festival da Canção da Eurovisão. Não tanto pelo seu significado depois de traduzido livremente para português, por exemplo ("Não queremos pô-lo dentro"), mas pelo que pode significar em inglês: "Nós não queremos Putin."

As duas últimas palavras mantidas em inglês put in levaram rapidamente a que a canção fosse vista como um ataque ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ou "anti-russa". Tanto mais que o tema é interpretado pelo trio de raparigas mais um elemento masculino Stephane & 3G, que irá representar a Geórgia na final da Eurovisão, que se realiza no dia 16 de Maio, em Moscovo, Rússia.

Segundo o Times, o refrão da canção com we don't wanna put in continua com it's killin'the groove", seguindo de your better change your perspective.

As leituras políticas não se fizeram esperar, sobretudo depois de, em Agosto passado, Moscovo ter enviado tropas para a Geórgia a pretexto de proteger os cidadãos russos residentes na Ossétia do Sul, região separatista georgiana. Após cinco dias de duros combates, as tropas de Vladimir Putin ocuparam a Ossétia do Sul, a Abkhazia, outra república separatista georgiana, e várias parcelas do território da Geórgia propriamente dito.

As reacções de condenação da comunidade internacional, nomeadamente da Europa e Estados Unidos, intensificaram-se até que, em Setembro, o Kremlin reconheceu a independência desses dois territórios.

"Considero que esta canção causará impressão em Moscovo, porque, além de conter mensagens políticas particulares, soa bem ao ouvido", reagiu assim o presidente do júri do festival organizado pela televisão pública georgiana, Steven Bud.

Mais recentemente, Mira Awad e Noa, a dupla árabo-judaica eleita por Israel, foi alvo de pressões dos mais radicais.- Com agências

Exclusivos