Urgências da Alfredo da Costa estiveram em risco de fechar

Saúde. Profissionais da maternidade lisboeta atingem "cansaço preocupante"

Falta de pessoal para as urgências deixa médicos "no limite" da capacidade

O fecho das urgências na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, foi ontem de madrugada "ponderado", depois de mais um turno com falta de pessoal, uma situação que tem aumentado as reclamações de utentes sobre o tempo de espera.

A falta de médicos nesta maternidade, que é a maior do País, tem vindo a agravar-se desde 2006 e tem como principal causa a transferência de médicos para o sector privado e o envelhecimento dos profissionais, que podem, por isso, solicitar horário reduzido e recusar fazer urgências.Dos 45 obstetras da MAC, 21 têm mais de 50 anos e não são, por isso, obrigados a fazer "banco".

Com mais de 20 partos por dia e mais de cem atendimentos urgentes diários, a MAC tem vindo a recorrer ao trabalho de empresas que, a custos muito mais elevados do que os pagos aos profissionais da instituição, têm assegurado a existência do número de médicos obrigatório.

A coordenadora do serviço de urgências da MAC, Clara Soares, disse à agência Lusa que os profissionais estão "no limite da capacidade" e que, para manter as portas abertas, os médicos e enfermeiros fazem turnos sucessivos, começando a revelar um "cansaço preocupante".

Segundo Clara Soares, o serviço de urgência contava, em 2006, com dez equipas de oito (dia) e sete (noite) obstetras. No ano seguinte, passaram a existir nove equipas e, actualmente, são oito as equipas que obrigam a "bancos" de 24 horas.

Em Agosto, um mês crítico por causa das férias - agravado pelo fecho das urgências obstétricas nos hospitais de Vila Franca de Xira e São Francisco Xavier (Lisboa) -, a falta de pessoal foi mais flagrante, chegando a existir turnos de seis obstetras, tanto de dia como de noite.

No final do mês, a MAC registou a realização de 29 partos em 24 horas, um movimento que obrigou a um trabalho "muito duro" para profissionais e que conduziu ainda ao encerramento de serviços, como a cirurgia programada em ginecologia.

Segundo a responsável, o encerramento da urgência chegou a ser "ponderado durante esta madrugada", quando a falta de pessoal foi mais visível por causa de vários casos complicados que ali foram atendidos. A solução passou por um profissional que aceitou fazer esse turno.

O Ministério da Saúde já foi alertado em Junho para a situação.

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