'Pipeline' para o aeroporto de Lisboa foi chumbado nos anos 90

Combustíveis. Executivo está a estudar projecto antigo

Oleoduto só estaria pronto poucos antes da desactivação da Portela

A possibilidade, admitida na semana passada pelo ministro das Obras Públicas, de construção de um pipeline para abastecer directamente de combustíveis o aeroporto de Lisboa é uma ideia antiga. O projecto está a ser estudado pelo Governo depois do susto suscitado pelo bloqueio dos transportadores ao Parque de Aveiras, que, em apenas dois dias, "secou" a Portela.

Na década de 90, quando ainda se chamava Petrogal, a Galp Energia estudou a possibilidade de construir um pipeline para abastecer o aeroporto de Lisboa a partir do Parque de Aveiras na década de 90. O projecto, que foi analisado no quadro da criação da Companhia Logística de Combustíveis (CLC), foi abandonado sobretudo por razões de viabilidade económica soube o Diário de Notícias. Há mais de dez anos, o investimento ascendia a 50 milhões de euros, a juntar aos 200 milhões de euros necessários para a construção de um oleoduto para ligar a refinaria de Sines a Aveiras, onde foi instalado o maior parque de combustíveis do País.

Esta solução foi a alternativa encontrada para a desactivação das instalações das petrolíferas na Matinha, para dar lugar à Expo'98. Para além de armazenagem, existia naquela área um pipeline para abastecer o aeroporto e que era usado pela Mobil, BP, Petrogal e Esso. A BP também tentou implementar uma solução que servia o aeroporto, através de um novo pipeline que ligasse as suas instalações de então em Santa Iria da Azoia, mas esta infra-estrutura foi chumbada por razões ambientais. De resto, este projecto só era válido, do ponto de vista económico, se as outras petrolíferas a utilizassem. Na prática acabou por avançar a solução da Petrogal, que depois abriu o capital da CLC, que gere as novas instalações logísticas de combustíveis, às principais petrolíferas no mercado nacional, mas não se avançou com o oleoduto para o aeroporto.

Projecto não é viável

No entanto, várias fontes dos sectores petrolífero e aeronáutico, contactadas pelo DN, afastam a viabilidade de avançar agora com a construção um pipeline que só estaria concluído poucos anos antes da prevista desactivação da Portela em 2017. Para além do elevado custo de um projecto com pouca duração para ser rentabilizado, a infra-estrutura teria de ser feita a partir do Parque de Aveiras, atravessando uma área com constrangimentos vários à execução da obra, quer pela elevada ocupação urbana, quer pelo relevo do terreno. Fonte oficial da ANA, contactada pelo DN, remeteu mais explicações para o Ministério das Obras Públicas, que não acrescentou mais detalhes.

Ao invés de um pipeline, o plano de expansão do aeroporto, cuja execução está em curso, prevê a quase duplicação da actual capacidade de armazenamento de combustíveis de seis mil metros cúbicos para mais de 11 mil metros cúbicos. Este projecto deverá estar concluído em meados de 2009. Hoje, o aeroporto, consoante o movimento de aviões, tem reservas para cerca de dois dias e, para manter as operações normais de abastecimento, precisa de receber cerca de 80 camiões por dia a partir de Aveiras.|

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