O 'Zé' deixou de fazer falta ao Bloco de Esquerda

Lisboa. Concelhia rompe com vereador na câmara municipal

Vereador acusado de pactuar com "graves cedências" aos interesses económicos

A concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda discutiu ontem à noite - a reunião decorria à hora do fecho desta edição - uma proposta de resolução propondo a ruptura total do partido com o vereador que encabeçou a sua lista nas autárquicas de 2007 na capital, José Sá Fernandes. "Por respeito aos eleitores de Lisboa, [o Bloco de Esquerda] deve anunciar, com toda a transparência, que o entendimento com José Sá Fernandes está terminado", lia-se no documento.

A gota de água foi o facto de Sá Fernandes ter decidido aceitar do presidente da câmara, António Costa, um reforço das suas competências na área do ambiente.

Segundo a proposta, "o programa eleitoral 'Lisboa é Gente' com o qual o Bloco de Esquerda se comprometeu com os lisboetas, deixou de encontrar a devida representação no vereador José Sá Fernandes".

Para o Bloco, "a generalidade das principais propostas" do partido nas autárquicas intercalares de 2007 "não foi levada à reunião de câmara" por José Sá Fernandes. Além do mais, "constata-se" uma "mudança de atitude" do vereador "em relação ao programa que foi submetido ao voto dos lisboetas", tendo "desaparecido o provedor dos cidadãos e o defensor empenhado de princípios programáticos, em benefício do alinhamento com a maioria do executivo municipal".

Segundo a proposta de resolução, é de "grande atraso" o "estado de execução do acordo [entre o vereador e o PS] de políticas estabelecido para a CML". Isso passa-se nas "medidas dependentes da aprovação da revisão do Plano Director Municipal (plano verde, quota de 25% para habitação a custos controlados, rede de eléctricos rápidos, frente ribeirinha) e do redireccionamento do principal esforço em matéria de habitação para a reabilitação, em detrimento da nova construção". Ou, por outras palavras: "O executivo não quis travar a batalha por uma política anti-especulativa para a habitação."

"Atraso irreparável"

Gerou-se ainda, de acordo com a proposta ontem à noite levada a discussão na concelhia do Bloco de Esquerda, um "atraso irreparável" na "reestruturação do sector empresarial do município, nomeadamente na adopção dos adequados procedimentos de integração, fusão ou extinção da EMEL, Gebalis e SRU, bem como da reestruturação da EPUL, compromisso que devia ter sido executado até ao início de 2008".

E houve, por outro lado, "uma grave cedência aos interesses económicos que colonizam a cidade de Lisboa", com a "aceitação pela CML de intervenções na frente ribeirinha, como a concessão sem concurso de uma extensão do prazo de negócio da Liscont/Mota-Engil no terminal de Alcântara".

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