O DIA EM QUE O CHELSEA VALIA UMA LIBRA

Em 1982, o Chelsea Football Club estava quase falido e à beira da descida para a terceira divisão. O clube de Londres pertencera à mesma família - os Mears, ligados à construção e imobiliário - desde a fundação, em 1905. Na década de 70, a família Mears decidiu avançar com um plano extravagante de expansão do estádio de Stamford Bridge que incluía, sobretudo, a construção de uma bancada nova com capacidade para 11 mil espectadores. A aposta saiu errada. O investimento coincidiu com um período de decréscimo de público nos estádios e de inflação galopante, deixando o clube com uma dívida de milhões de libras. Poucos dias depois de um jogo da Taça da Inglaterra de 1982, frente ao Tottenham Hotspur, um gerente bancário telefonou para a administração do Chelsea: "Tenho aqui dois cheques vossos", disse ele. "Um é para pagar a federação, outro é para os salários dos jogadores. Só há fundos para um dos cheques. Qual deles devo devolver?" A família Mears apercebeu-se de que chegara a hora de cortar todos os vínculos com o clube. O Chelsea FC foi vendido pelo preço simbólico de uma libra ao milionário Ken Bates, que também assumiu todas as dívidas - de mais de dois milhões - do clube. Duas décadas mais tarde, em Junho de 2003, o Chelsea de Ken Bates era vendido por 140 milhões de libras (176 milhões de euros, ao câmbio actual) ao multimilionário russo Roman Abramovich.

Hoje em dia, o Chelsea pouco ou nada tem que ver com aquele período de decadência dos últimos anos da dinastia Mears. De acordo com números divulgados em Fevereiro passado, Abramovich investiu um total de 578 milhões de libras (cerca de 730 milhões de euros) no clube, desde 2003. Esta pequena migalha da fortuna pessoal do judeu russo foi utilizada na contratação de alguns dos melhores jogadores e técnicos do mundo e na construção de um impressionante centro de treinos em Cobham, nos arredores de Londres. Sob a direcção do português José Mourinho, a equipa do Chelsea acumulou títulos nacionais. Em termos económicos, o clube transformou-se numa máquina geradora de receitas, registando proveitos globais de 283 milhões de euros na época passada (2006/07) - uma marca que coloca o Chelsea no quarto lugar da lista da Deloitte dos clubes de futebol mais ricos do mundo, atrás de Real Madrid (351 milhões), Manchester United (315) e Barcelona (290). Um quarto de século após ter sido vendido por uma libra (1,26 euros, ao câmbio actual), o Chelsea vai disputar, na quarta-feira, pela primeira vez, a final da prova mais importante do calendário internacional de clubes. |

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