Legalização do aborto fez baixar recurso à pílula do dia seguinte

As mulheres estão a recorrer menos à pílula do dia seguinte desde Julho, quando foi legalizada a interrupção voluntária da gravidez, segundo dados de uma consultora, que apontam para menos 7000 caixas vendidas no último semestre de 2007. Pela primeira vez, o consumo anual da pílula de emergência diminuiu em Portugal, invertendo uma tendência que se vinha a verificar nos últimos quatro anos. De acordo com dados da consultora IMS Health, em 2007 foram compradas 206 648 caixas, menos 6646 do que no ano anterior.

Entre Janeiro e Julho de 2007, as portuguesas compraram 106 802 caixas, ao passo que entre Julho e Dezembro o número desceu para 99 846. Ou seja, no último semestre do ano venderam-se menos sete mil embalagens, uma diferença equivalente à registada entre 2006 e 2007. "É um bom sinal, que pode significar um menor recurso a métodos de emergência quando as mulheres estão na dúvida de poderem estar grávidas. Pode significar também que as mulheres estão mais tranquilas porque agora têm acesso a meios de saúde pública", sublinhou Daniel Pereira da Silva, da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, referindo-se à entrada em vigor da lei que tornou possível a interrupção voluntária da gravidez, no passado dia 15 de Julho.

Dos vários ginecologistas contactados pela Lusa, todos destacaram a importância de não ser necessária receita médica para adquirir a pílula, uma vez que a taxa de eficácia só é conhecida até 72 horas após a relação sexual.

No entanto, Daniel Pereira da Silva salienta que este medicamento "é um método muito positivo, mas tem de ser usado numa emergência e não como método de continuidade, uma vez que desta forma pode ser perigoso para a mulher".

Numa ronda por várias farmácias de Lisboa, a agência Lusa constatou que a maioria dos profissionais leva a sério a "Norma de Intervenção Farmacêutica na Concepção de Emergência", recusando-se a vender mais de uma embalagem. Mas há quem a ignore. Ou seja, há quem venda três embalagens à mesma pessoa, sem recomendações e sem fazer a avaliação da situação do utente, contrariando a norma emitida pela Ordem dos Farmacêuticos. "São excepções pontuais de má prática que infelizmente acontecem em todas as profissões", reagiu o presidente da secção regional de Lisboa da Ordem dos Farmacêuticos, João Mendonça.| LUSA

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