Isabel dos Santos compra 9,7% do BPI

Banca. Empresária angolana adquire participação ao BCP

Isabel dos Santos compra 9,7% do BPI

A investidora angolana Isabel dos Santos comprou uma participação de 9,69% do Banco Português de Investimento (BPI) . O negócio foi realizado através de uma sociedade de direito português, a Santoro Financial Holdings, que comprou a participação detida pelo Millennium BCP.

A operação, anunciada ontem, foi feita ao preço de 1,88 euros por acção, o que representa um prémio de 33% em relação à cotação do fecho do BPI que foi de 1,41 euros. Isto significa que a empresa controlada pela filha do presidente angolano, Eduardo dos Santos, concordou pagar cerca de 164 milhões de euros para se tornar accionista de referência de um dos maiores bancos privados portugueses. A Santoro detém também 25% do BIC Portugal, filial do banco de capitais angolanos, onde Américo Amorim é accionista.

Esta é mais uma investida forte de capitais angolanos nos bancos nacionais, depois da petrolífera estatal Sonangol ter atingido os 10% do maior banco privado nacional, passando a ser a maior accionista do BCP. O investimento angolano tem ainda como pano de fundo as parcerias entre os bancos portugueses e empresas e grupos angolanos para este mercado. Por imposição de Luanda, os bancos nacionais tiveram de abrir o capital das suas instituições no país a investidores locais.

O BPI já fechou a venda de 49% do capital do BFA (Banco do Fomento de Angola) à Unitel. A operadora de telecomunicações, uma das maiores empresas angolanas, tem também como accionista de referência (25% do capital) uma sociedade ligada a Isabel dos Santos. É na sequência do desenvolvimento desta parceria que a entrada da empresária no próprio BPI deve ser entendida, pelo que o negócio, que ainda tem de receber luz verde do Banco de Portugal, terá sido feito com o acordo dos principais accionistas e da gestão do terceiro banco privado nacional. A Sonangol é ainda accionista indirecta da Galp, através da Amorim Energia.

Por definir para já está qual será a participação do novo accionista nos órgãos da gestão liderada por Fernando Ulrich. A entrada de investidores angolanos surge no contexto de reforço da posição da La Caixa no BPI. O banco catalão tem quase 30% do BPI e já fez saber, segundo um porta-voz citado pelo Diário Económico, que deverá continuar a reforçar a sua participação até chegar aos 33%, limite fixado pelo Banco de Portugal, mas também o limiar a partir do qual teria de lançar uma oferta pública de aquisição (OPA). Do núcleo duro de accionistas do BPI fazem ainda parte os brasileiros do Itaú, com cerca de 20%, e a seguradora alemã Allianz com aproximadamente 10%.

Apesar de vender acima do mercado, o BCP irá agravar as suas menos-valias no BPI. No terceiro trimestre, as perdas estavam nos 216 milhões de euros, com as acções do Português de Investimento a 2,1 euros. No entanto, o BCP consegue travar o aumento do prejuízo, uma vez que evita o efeito da maior desvalorização dos últimos meses. |

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