Rebeldes conquistam N'Djamena e cercam palácio do Presidente

Rebeldes conquistam N'Djamena e cercam palácio do Presidente

Em curso está uma operação militar francesa para retirar estrangeiros

A capital do Chade, N'Djamena, foi ontem atacada por uma força rebelde, que conquistou a cidade. Ontem à noite, o regime do Presidente Idriss Deby estava muito perto de ser derrubado. A situação militar era confusa e aos combates na zona da presidência sucedeu-se uma calma relativa, enquanto se preparava a operação para retirar os estrangeiros que queiram abandonar o país.

Centenas de europeus concentraram-se em locais seguros da capital, protegidos por tropas francesas. Seriam depois levados para o aeroporto e repatriados, segundo um plano de evacuação previsto para decorrer na madrugada. Os combates de ontem foram violentos, incluindo tiro de artilharia, mas não há ainda um balanço de vítimas. Uma das raras informações dava conta da morte da mulher e filha de um funcionário da embaixada da Arábia Saudita, ambas atingidas pela explosão de um obus.

"Controlamos a situação, controlamos a cidade", disse ontem à tarde um dos responsáveis da rebelião, Abbakar Tollimi, citado pela AFP. Segundo o dirigente insurrecto, havia ainda "bolsas de resistência" de forças governamentais e supunha-se que o Presidente Deby estava no palácio, em torno do qual havia combates, embora não em larga escala. "Se ele [Deby] quiser partir, não vemos problema", afirmou Tollimi.

Segundo fontes militares francesas, os rebeldes que conquistaram N'Djamena somam uns 2000 homens e entraram ontem na capital, integrados numa coluna com 300 carrinhas de caixa aberta. Os insurrectos pertencem a uma aliança de grupos rebeldes (Comando Militar Unificado) formada em Dezembro e partiram de bases no Sudão, no início da semana, tendo percorrido cerca de 800 quilómetros.

A coluna rebelde vinda de leste enfrentou pouca resistência governamental, mas foi interceptada na sexta-feira, em Massaguet, a 50 quilómetros de N'Djamena pelo exército chadiano, comandado pelo próprio Idriss Deby, que foi tenente-general antes de assumir o poder. Houve então uma violenta batalha, embora nenhum dos lados tenha divulgado um balanço de vítimas.

Na sua entrada em N'Djamena, os rebeldes foram vitoriados em vários bairros, havendo igualmente notícia de pilhagens. Antes desta ofensiva, sabia-se que o exército governamental estava desmoralizado e, nos meses anteriores, vários altos dirigentes abandonaram Deby.

A eventual queda do Presidente será um revés para a França, a antiga potência colonial europeia. Aliás, Paris (tal como a União Africana) condenou a acção e o Presidente Nicolas Sarkozy telefonou a Idriss Deby. A França tem 1500 dos seus nacionais no Chade e mantinha 1100 soldados, mas o contingente foi reforçado nos últimos dias por duas companhias de combate, elevando o número de militares a mais de 1400.

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