RDP África comemora aniversário a partir de estação de metro

A RDP África completa hoje 12 anos de emissão. A estação vai assinalar a data com um "retrato sonoro" da sua história, explicou o coordenador de programas, Nuno Sardinha. A grande festa está marcada para a próxima sexta-feira, 4 de Abril, numa emissão a partir da estação de metro do Campo Grande, em Lisboa.

A emissão de 4 de Abril foi apelidada de 12 anos, 12 horas, 12 convidados. Das 08.00 às 20.00 vão passar pelo local da festa 12 artistas do mundo africano lusófono. "Toda a programação de sexta-feira é emitida em directo a partir da estação de Campo Grande", adiantou o director da RDP África, Jorge Gonçalves.

Entre os 12 artistas que vão estar presentes contam-se os angolanos Yami e Dom Kikas, Gilberto Gil Umbelina de São Tomé e Príncipe e o grupo cabo-verdiano TC, entre outros. O director da emissora espera que "os ouvintes da zona de Lisboa possam passar por lá e conhecer a rádio".

Na estação de metro do Campo Grande vai estar patente "um pequeno núcleo musiológico do Museu da Rádio, com instrumentos que fazem parte das origens deste meio", anunciou Jorge Gonçalves. A celebração termina com a ante-estreia do filme A Ilha dos Escravos, uma co-produção entre o Brasil, Portugal e Cabo Verde, no cinema São Jorge. Uma realização de Francisco Manso com os portugueses Diogo Infante e Vítor Norte, os brasileiros Milton Gonçalves e Francisco Assis e Josina Fortes e Luís Évora, de Cabo Verde.

Durante o dia de hoje, a RDP África lembra em antena momentos marcantes da sua história. Mas, também vai evocar episódios que "fizeram história como a morte de Jonas Savimbi em 2002, a guerra na Guiné em 1998 e a primeira participação de Angola no mundial em 2006", enumerou Nuno Sardinha.

A RDP África é emitida em todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), em frequência moderada (FM), à excepção de Angola em que chega apenas através da Internet. Em Moçambique e na Guiné-Bissau é a rádio mais ouvida, com quatro milhões de ouvintes no primeiro país, segundo o coordenador de programas.

No futuro, Jorge Gonçalves espera que a emissora, que em Portugal é emitida em Lisboa, Coimbra e Faro, chegue também ao Porto. "Gostávamos de ter uma maior capacidade de integração das rádios públicas dos países africanos na programação da RDP África" deseja ainda o director.

O coordenador de programas também gostaria de ver a emissão chegar ao Porto, mas acrescenta-lhe a vontade de os angolanos poderem sintonizar o rádio na frequência da estação, de forma a "fechar o círculo". Nuno Sardinha frisa que a emissora "vive do que é o serviço público e das causas públicas". Por isso, a conferência anual que a RDP África organiza é outro momento marcante na vida da rádio. Este ano, em debate vai estar a questão da saúde no continente africano, uma iniciativa que vai ter lugar em Maio, o mês de África em Lisboa.

Desde o primeiro dia na estação de rádio, Nuno Sardinha guarda consigo várias histórias. O momento em que "juntámos 15 mil pessoas, durante a Expo 98" é uma das recordações felizes. "Era o dia da cultura africana e organizámos exposições, desfiles de moda, mostras culinárias" descreve o jornalista, frisando que a RDP África "vive dos seus ouvintes e das suas histórias".

Outro acontecimento memorável teve lugar em Moçambique, por ocasião do décimo aniversário da rádio. "Apareceram 15 mil pessoas, em Maputo, após um spot, que passou durante uma semana, em que pedíamos às pessoas para se juntarem a nós na festa", lembra.|

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