Oito portugueses mudaram de sexo desde 2005 em Santa Maria

Transexualidade. Operação de reatribuição é o culminar de um longo processo

Oito portugueses mudaram de sexo desde 2005 em Santa Maria

Patrícia Ribeiro concretizou ontem um sonho de muitos anos - a jovem submeteu-se a uma operação para mudar de sexo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. É que Patrícia, de 26 anos, nasceu Nuno Ribeiro. Em criança, chegou a ser conhecido como Ricky, quando cantava no grupo juvenil Onda Choc. A cirurgia de ontem foi mais um passo num longo percurso, que inclui três anos de acompanhamento nos hospitais Júlio de Matos e da Universidade de Coimbra.

De acordo com o director do serviço de Cirurgia Plástica do hospital, Patrícia foi a oitava pessoa a submeter-se a esta cirurgia no hospital nos últimos três anos. João Décio Ferreira acompanha ainda outras 45 pessoas transexuais.

No entanto, como o caso de Patrícia indica, a cirurgia é apenas o culminar de uma transformação que começa muito antes. Até chegar ao bloco operatório, o indivíduo que pretende fazer a cirurgia de reatribuição de sexo tem que fazer um longo percurso, que se prolonga por um mínimo de dois anos mas pode demorar muito mais.

Inicialmente, o candidato passa por uma consulta de Psiquiatria- a transexualidade é considerada pela Organização Mundial de Saúde como um tipo de transtorno de identidade de género, em que o indivíduo possui uma identidade de género diferente da que lhe é atribuída no nascimento. "Passado um ano, quando há uma convicção, começa-se a fazer a terapêutica hormonal e depois o doente é enviado a outro centro para confirmar o diagnóstico", explicou João Décio Ferreira à Lusa, acrescentando que o processo é longo, uma vez que é uma "operação irreversível". O processo exige ainda uma autorização da Ordem dos Médicos (OM), sendo o único acto médico que carece deste tipo de licença. Uma comissão analisa todo o percurso clínico do doente e dá o parecer de acordo com as normas internacionais. Segundo a OM, desde 2003 foram entregues 36 pedidos e há duas pessoas a aguardar decisão.

Só os hospitais públicos estão autorizados a realizar estas cirurgias, comparticipadas a 100%. Os hospitais de Santa Maria e de São João, no Porto, são os únicos que realizam estas operações no País. | Com LUSA

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