Helicóptero pousou em Barrancos por causa do rapaz que baptizou Gil

A professora Deodata entrou na sala de aula e anunciou à turma: "A Escola Básica de Barrancos foi aquela que ganhou o concurso para dar o nome à mascote da Expo'98." O coração de José Luís Coelho "começou a bater como um tambor" e, antes de se levantar para festejar a boa notícia, já os colegas da quarta classe estavam em cima dele a comemorar a vitória. O nome Gil (em homenagem ao navegador Gil Eanes) foi entre as mais de 300 sugestões de estabelecimentos de ensino de todo o País, aquela que, em 1994, acabou por ser a escolhida pela comissão da Expo. E José Luís, o miúdo de 10 anos, foi o autor da proposta.

Uma década e meia mais tarde, o rapaz cresceu, saiu de Barrancos, foi estudar para os Estados Unidos, mudou-se para Évora, onde completou os estudos e, hoje, é um arquitecto paisagista que trabalha em Lisboa. "Tenho alguma dificuldade em lembrar-me dessa fase pois já lá vão alguns anos." Só que há coisas que não se esquecem. A terra dele, por exemplo, saiu do anonimato e foi parar a todas as páginas dos jornais.

Um helicóptero com a comitiva da Expo pousou na praça central de Barrancos só por causa do aluno que deu personalidade à mascote criada pelo pintor António Modesto. A turma da quarta classe da escola básica foi para a capital de autocarro conhecer a zona oriental de Lisboa, que, há 14 anos, estava virada do avesso por causa das obras da Expo. A família de José Luís ganhou passes para visitar todos os dias o recinto e o rapaz foi um dos convidados de honra na abertura oficial da última exposição mundial, no dia 21 de Maio.

"Na altura fiquei fascinado com todos esses acontecimentos que se sucederam em catadupa", conta o arquitecto de 25 anos. Mas com o passar dos anos começou a sentir que "as coisas poderiam ter corrido melhor". O efeito Expo esfumou-se em menos de nada e Barrancos voltou a ser uma cidade isolada do Baixo Alentejo. "Mesmo agora a mascote Gil continua a ser rentável com o merchandising que ainda se faz." Mas, "toda essa fortuna" não trouxe benefícios à sua terra: "Entre os 12 alunos da minha turma só dois foram a Expo, porque tiveram posses para isso." Os restantes viram o acontecimento pela televisão, porque ninguém se lembrou de convidá-los. "A minha escola, que tinha tantas carências, acabou também por não ter qualquer tipo de apoio", desabafa José Luís Coelho. |

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